terça-feira, 26 de novembro de 2013

Receita do domingo: pasta de rúcula com pesto cremoso de rúcula e salmão

Tem bastaaaaante tempo que não posto receitas, não por conta de uma cozinha parada, muito pelo contrário, mas por falta de tempo mesmo. Já disse que admiro a galera que bloga receita com frequencia incluindo fotos do passo a passo, mas com filhotinho é bem mais complexo.
Só que esse domingo foi A receita! Semana passada também roulou um viola à belle menière que eu vou compartilhar um dia desses, mas pasta feita em casa aberta com cilindro que ganhei de aniversário não tem melhor, caseiro é tuuuudo dibão e ainda sabemos o que tem dentro.
Nas férias quando fomos à Itália fomos em um restaurante divino em Turim e meu marido pediu esse prato e nosso filho com 15 meses caiu dentro e ignorou seu prato kids (pasta com tomates não é tao incrível quanto rúcula minha gente). Mas antes da receita uma historinha pra contar o que me motivou.
Quando me casei ganhei de presente uma máquina de pão, porém como ela veio da França tem voltagem 220 e no Rio de Janeiro é 110, sendo assim comprei uma tomada quadrada que se dizia transformador, resultado: antes mesmo de começar a sovar a massa o treco começou a sair fumaça, desesperei arrancamos aquilo de lá e terminei o pão na mão mesmo e no forno convencional. Fiquei meio jururu, mas meu pai disse que faria uma tomada 220, eu engravidei, pari meu filho 40semanas depois ele fez 7 meses eu mudei de casa... já fez 1 ano que me mudei de casa e não tinha a tomada 220. Até que visitando uma amiga que chegou recentemente da França descobri um verdadeiro transformador e paguei 88 reais muito bem pagos pra usar minha maquina de pão. Desde então aqui virou uma padaria já fizemos pão de cebola, petits pain, pain au lait, pão integral de iogurte e maravilhosas brioches. Mas tem um adendo que é o que faz parte dessa receita. A máquina além de fazer tudo em matéria de pão: misturar, sovar, fermentar e assar ela diz ter programas para bolo, geléias, massa de pizza e massa de macarrão. Eu que fazia minhas pastas no processador resolvi testar e foi bem legal. Mas se você não tiver máquina de pão com tantas firulas pode fazer no processador ou no muque mesmo. Vamos a receitinha e as adaptações.

Massa:
3ovos
125ml de água
1/2 kg de farinha de trigo
100gr de rúcula bem picadinha
1/2 colher de café de sal

Misturar tudo até virar uma bola. Se os ovos forem grandes use apenas 100ml de água. Se a quantidade de farinha indicada não der o ponto coloque mais. Eu usei ovos grandes e a quantidade de agua da receita acabei tendo que botar mais farinha. Abri no cilindro corte retângulos e apertei no meio pra fazer farfales ou gravatinhas, lacinhos, como quiserem como deu uma quandidade boa abri uns retangulozões e congelei pra fazer uma lasanha de massa verde depois. #ficaadica

Molho

Rucula (meio maço, acho que deu 100gr)
50ml azeite
100 gr creme de leite
2 dentes de alho
1 punhado de amendoas e parmesão a gosto
2 postas de salmão

Dividir a rúcula em 2 partes e colocar numa frigideira com agua para cozinhar no liquidificador coloca alho, amendoas (eu usei as amendoas espremidas de um leite de amendoas que fiz), azeite, creme de leite, e a rúcula crua e cozida, coloco uma pitada generosa de parmesão e reservo o resto pra servir. Bater tudo no liquidificador e despejar sobre a massa cozida envolvendo ela no molho. Grelhar o salmão e desfiá-lo eliminando todas as espinhas acrescentar a massa e ao molho. comer bem quentinho com bastante queijo por cima!

Não deu tempo nem de fazer uma foto, mas achei uma parecida sendo que o farfale feito em casa não saem todos iguaizinho.
google

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Carta às meninas

Fonte Google Procurando por uma imagem de mulher sem maquiagem parece que a maquiagem é a salvação pra todos os problemas e sem as mulheres são feias. Acho que essa foto faz pensar, quem gostar realmente da segunda imagem tem como referencial de beleza os travestis.


Entro no ônibus, lugar que ultimamente sempre me faz escrever quando estou sozinha e vejo cabelos penteados, esticados, pintados, rostos maquiados para um dia a dia em meninas que são ainda tão jovens. Mas já mascaradas com a beleza ditatorial, escondem a vida e suas marcas naturais a beleza bruta a beleza verdadeira. Depois desse grupo vi uma menina com pelinhos nas axilas a mostra quando se segurava, eram tão simpáticos, tão reais e genuínos ela me parecia mais humana e menos Barbie, menos de plástico e plástica.
Coletivo Além projeto Pelos Pelos

Refleti que aprendi a odiar os pêlos porque a sociedade e a cultura que vivo são assim, mas sendo eu filha de um quase Tony Ramos aprendi a me odiar um pouco a medida que se tenho pelos, odiá-los é me odiar também. Aí eu li a depilação é a burca brasileira e posteriormente conheci o projeto pelos pêlos e acho muito legal (depois de já ter escrito esse post achei algo maravilhoso que coaduna as ideias daqui sugiro fortemente a leitura de o mês que me tornei uma feminista peluda) me fez entender muitas coisas e não me odiar ou odiar os pêlos que tenho e sou. E ok. Gosto é gosto cada um tem o seu a medida do que a sociedade e a cultura que nos cerca impõe, então o gosto não é assim tão nosso. Aí pensei nas mudanças de aparência feitas em prol do outro, um agradar-se apenas pra que agrade o(s) outro(s) e assim eu me agrade. Ainda bem que o tempo passa e eu cresci, não em altura, mas em outros quesitos. Sei que não tem salto que me dê os centímetros que não tenho (na adolescência só usava os saltos mais altos e mirabolantes pra escamotear meus charmosos 1,58). Dá vontade de falar: ei meninas, maquiagem borra e sai. Cabelo frisa. Cacho desmancha. Prancha encolhe na chuva. Esmalte da unha descasca. Cinta sai. Peito fora do sutiã diminui ou até cai. Perfume sai. Desodorante vence. Pelos crescem no sovaco. Na sobrancelha. Na virilha. Na perna...Mas seus olhos. Ah, seus olhos sempre vão ser lindos e o seu sorriso é o que de mais bonito e verdadeiro você pode exalar. Sua real beleza está nisso e quem não gostar de você assim, simplesmente não gosta de você como você é e sim como você se "monta", não te gosta como mulher, mas como você se traveste. Ser feliz e estar em paz consigo é o melhor tratamento de beleza. Apostem nisso!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Considerações sobre um parto tipo humanizado

Tá dificil blogar, sem tempo mesmo, há três dias querendo postar...Eu hoje ia postar uma outra coisa que tá quase pronta, só faltavam os links, mas resolvi mudar de assunto completamente, pois as mães das redes sociais em todos os grupos só falam sobre esse assunto e eu preciso me manifestar para além das redes. Preciso dar um outro lado da moeda e com informação de qualidade, para problematizar e provocar questionamentos.
O que está acontecendo e que está mexendo com a cabeça das mulheres mães é o caso de uma mulher que foi para a Maternidade Maria Amélia no Rio de Janeiro e seu bebê morreu em decorrência da aspiração de mecônio (o primeiro cocô). A mídia sensacionalista abraçou o caso e isso me soa muito mais como um golpe no movimento de humanização do parto do que real preocupação com esta mãe e compromisso com a informação, pois a referida maternidade municipal possui profissionais humanizados, infelizmente não são todos, mas há equipes que prezam pelo respeito a fisiologia do parto e ao corpo da mulher. Todos os dias morrem bebês em diversos hospitais e maternidades, mas não viram notícia. Morrem mães também. seja por fatalidade, seja por negligência, mas nem sempre são noticiados. E é aí que eu acho estranha toda essa repercussão nesse caso. Enquanto mãe entendo a empatia que essa situação gera, e não, eu posso até imaginar, mas não consigo nem chegar perto da dor de perder um filho esperado por semanas a fio, planejado e já tão amado. Com certeza isso gera uma revolta, com certeza isso nos faz duvidar de tudo e procurar um culpado. Não sei se nesse caso houveram culpados e não sou juíza pra julgar nada nem ninguém, mas gostaria de lançar um olhar sobre os fatos ocorridos.
A mãe que passou por essa situação divulgou na internet o seu prontuário e seu relato.

Li e analisei os dois, e as minhas conclusões são que houve violência obstétrica sim, mas não foi violência tudo que parece ser, muitas das coisas que pra uma pessoa leiga possa parecer violência, não, não é. Percebe-se muito claramente que infelizmente o parto, que deveria ser algo natural, que nossa ancestralidade e nossa sabedoria de mulher, aquela que gesta, saiba parir, ledo engano, as intervenções e o nosso modelo cultural ajudaram a borrar essas memórias e noto que ela não estava preparada de fato para um trabalho de parto e que desconhece a fisiologia do parto, isso não é culpa dela é culpa do sistema que preferiu medicalizar o parto e excluir a mulher de conhecer os processos que acontecem com ela do e no corpo dela.. Isso não é pra médico saber apenas, afinal o corpo é nosso, nós temos que saber os caminhos que passamos até encontrarmos nossos rebentos, precisamos saber como vai ser o momento dele rebentar, como diria Chico Buarque.

A desinformação foi crucial, e acho que um erro da maternidade é não ter um pré natal adequado que prepare realmente para o parto, qualquer mulher pode chegar lá e parir não importa o pré natal que teve. No relato fica claro que algumas coisas são absurdas, mas aos olhos de uma pessoa leiga tudo ganha uma proporção maior, houveram fatos que não são absurdos, mas que parecem ser em meio a tanta dor.  Esse papo de gestação prolongada de 40 semanas e 3 dias foi repetido várias vezes e na verdade não houve nenhuma gestação prolongada um parto a termo vai de 38 a 42 semanas, após 42 semanas podemos falar em gestação prolongada e ainda assim ocorrer tudo muito bem e com desfechos bons para mãe e bebê. Mas como no Brasil os médicos gostam de operar com 37 a 38 semanas muitas pessoas podem pensar que 40 semanas é uma condição anormal e extraordinária, o que não é, tanto que o ACOG (colégio americano de ginecologia e obstetrícia) mudou a recomendação das marcações de cesárias, visto que a maior parte dos partos vai até pelo menos 40 semanas se não for interrompido por médicos com procedimentos e intervenções. O poder da mente no trabalho de parto é muito grande e pode atrapalhar muito, medo, tensão só geram mais dor. Uma mulher que se sente muito observada e invadida não consegue também entrar em contato consigo mesma a ponto de conseguir uma boa evolução do trabalho de parto. Mas ainda que eu ache que a equipe em alguns momentos abandonou a gestante propositalmente pra ela ficar mais a vontade, vejo que não houve negligência quando é possível ver no prontuário que ela foi monitorada constantemente e que o espaço entre uma anotação e outra não é muito longo, portanto nesse caso não foi desassistido, em vários pontos do prontuário também é possível ver anotações do BCF (batimento cardio fetal).

O que é preciso saber é que em um parto humanizado não se aplica sorinho, ou sorinho da força que em todo hospital dão e por isso acham que é bom, mas se este soro for administrado as dores aumentam muitíssimo e ficam bastante insuportáveis, nesse caso só seria pior. Episiotomia é um corte no períneo é uma mutilação e a laceração não é tão comum e quando ocorre não é tão ruim quanto uma episiotomia. Isso é uma violência obstétrica tanto quanto tratar mal.

Mas vou abordar um ponto chave, parto humanizado não é forçar parto normal, é deixar o corpo no seu tempo fazer em parceria com o bebê o que precisa ser feito. Isso precisa ser entendido. Pois nesse caso parece que o vilão foi o parto normal, quando na verdade se fosse realizada uma cesariana e o bebê tivesse feito cocô, o mecônio. ele teria aspirado do mesmo modo e a cesárea não teria salvado, além de trazer mais riscos de morte para a mãe.Eu tô sendo advogada do diabo, pois nosso lado mãe grita ao ver uma coisa dessas e agimos com a emoção e não com a razão.Acho que o movimento de humanização do parto ganhou muita visibilidade e militância o que gerou problemas a ele, muita gente se dizendo humanizada achando que humanização é luz baixa e musiquinha. Mas acho que esse tipo de noticia vinculada especificamente a MMA é pra exatamente abalar a nossa fé no humanizado e vejo que muito dos discursos estão em relação a forçar parto normal, forçar qualquer coisa que seja não é humanização, a MMA não é uma maternidade humanizada, mas que tem profissionais humanizados, infelizmente não são todos. O parto humanizado não é um parto 100% fisiológico, se precisar de alguma intervenção vão fazer, tem o dever de fazer e garantir que mãe e bebê saiam bem do parto. A diferença é informar a mãe sobre os procedimentos antes de realizá-los e fazer nas necessidades e não rotineiramente. Com certeza um parto horroroso e sofrido não é humanizado e uma cesárea é menos traumática nesses casos.
A questão do sofrimento fetal muitas vezes levantada é que médicos dizem que vão fazer cesárea porque o bebê está em sofrimento fetal, nós mães no momento do parto ou em qualquer outro não queremos sofrimento do filho e aceitamos a cesárea que salvará o bebê, mas o que muitas mulheres questionam em fóruns é que se o bebê estava em sofrimento o apgar deveria ser menor que 7, um bebê que o médico diz que está em sofrimento e nasce 9 até 10 de fato não estava em sofrimento, e elas passaram por um pós parto muito ruim na maioria dos casos sem necessidade. Eu tive um parto domiciliar, tive a sorte de poder conhecer essa possibilidade e de poder pagar, pois infelizmente parto no brasil é uma indústria, mas aí as mais xiitas diriam que meu parto não foi humanizado, sabe porque? Fizeram manobra de Kristeller, e assim que eu digeri o parto e estudei cada vez mais via muita gente dizendo que Kristeller era a pior coisa que se podia fazer, mas acho que cada caso é um caso eu não tinha mais muitas forças, se tivesse no hospital acho que tentariam vácuo, mas em casa e naquele momento aquela foi a melhor solução, não acho que isso faça do meu parto mais ou menos humanizado. Acho que foi uma intervenção necessária naquele momento, naquela situação específica. Acho que muita gente quando se toca em certos termos já diz: "ah isso não é humanização", mas sei de gente que queria ter direção de puxos e ficou sem saber o que fazer e pedia pra orientarem de quando devia fazer força...ou que ficou morta com farofa de placenta porque fazia força o tempo todo antes da hora... Humanizar o parto e o nascimento é respeitar os limites de cada um, é intervir quando necessário, é fazer cesárea se necessário. Mas antes de tudo é preparar a mulher para essa experiência, é absurdo que tenhamos perdido o contato com a natureza e temos de reaprender a como funciona, mas só há esse caminho para nos reconectarmos com o natural sem esquecer da tecnologia e ter toda a segurança pro melhor parto possível, como amor respeito e acolhimento. O quadro poderia ser revertido com a presença de uma doula, vou fazer um post explicando melhor, mas as dores insuportáveis sentidas podiam ser melhor toleradas com massagens prova disso é que no próprio relato há um psicólogo que faz massagem nela e ela relaxa e apaga, mas ela não consegue ainda reconhecer isso pois o desfecho de toda essa situação foi muito traumático.
Uma mão amiga dizendo: "vai passar!", "você vai conseguir" "coragem" " cada contração é uma a menos" podia ter revertido toda essa situação. E aí fica a reflexão que tiro dessa história ela teve o direito a um parto fisiológico quase 100%, mas não foi humanizado, faltou componente humano, faltou confiança e apoio. Que isso sirva de lição, para que não tenhamos apenas menos violência obstétrica, mas para que tenhamos mais acolhimento nas equipes de parto.
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