segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Limites: o não e a negação sem o não. Nossa história enquanto o terible two não vem



Estava escrevendo o post no telefone e o bendito tocou. E eu atendi. E o post sumiu. Mas vou tentar lembrar. Afinal é um assunto da série: quero escrever sobre isso, mas enrolo.Porém, hoje estava lendo um tópico e mensagens na rede do zuck de um grupo de mães que gosto muito e que me fizeram pensar em desengavetar essa ideia, ou melhor, desencerebrar mais uma ideia entre as tantas e ecléticas que passam nessa cachola e assim pulo do flúor pra qualquer outra coisa. Garanto que são muitas ideias, mas o tempo de escrever é inversamente proporcional. O assunto é meio polêmico, posso até ser crucificada, mas como o mundo é velho e sem porteiras, cada um faz o que pensa ser melhor para si e para seus rebentos também. Sem mais delongas e rodeios o tema das próximas linhas é dizer um pouco da nossa experiência com o famigerado não. Acredito estar maternando numa geração meio termo. Pois as gerações anteriores a grosso modo se dividem em duas: as que nada permitem e oprimem e aquela que foi filha desta e resolveu ser a que tudo permite e que não dá limites. Não quero ser de A nem B, nesse  momento vale a ponderação e o caminho do meio. Embora alguns possam crer que sou do grupo libera geral, acredito na árdua tarefa de educar sem dizer não. Melhor dizendo, usando o não de outros modos e deixando o ene a til o pra casos realmente sérios que envolvam a saúde e a integridade física do meu bebê. Tipo dedo na tomada. 
Mas aí você pode estar pensando, como fazer isso? Fácil, não é, de quebra é cansativo pacas. Mas já pensava muito no não quando falei os primeiros nãos e tive péssimas reações e acho que hoje usando nãos essenciais a coisa melhorou muito aqui em casa. Depois vi um vídeo (você pode ver o video acessando aqui - os pais devem ajudar os filhos a lidarem com limites) que só me incentivou nessa conduta e acho que o exemplo e a experiência controlada valem muito a pena. 
Chamo de experiência controlada permitir a crinaça viver uma experiência um pouco perigosa pra ela sozinha, porém controlada pelos pais. Por exemplo, com panelas quentes, peguei no colo e disse quente em francês chaud, se fala xô. Já nas papinhas mostrava que era xô e soprava a colher. Nas panelas dizia xô e passei rapidamente a mãozinha no vapor pra ele entender que xô é uma sensação de quente. Fiz bem rápido pra não machucar só no vapor, só pra sentir a diferença de temperatura, mas de longe, por favor nada de queimar filhos. Como faço muitos bolos quando o forno tá ligado ao invés de dizer 'não põe a mão', dizemos 'xô' e ele faz um biquinho pra soprar, mas não vai lá tentar por a mão.
Quando abre a geladeira dizemos 'fecha' ou 'ferme' ao invés de 'não abre' ou 'não pode'. No lugar de 'agora não' pra uma atividade inadequada pro momento uso o 'depois', 'depois faremos isso', 'mais tarde', em alguns casos 'amanhã' embora ele não tenha noção do que é amanhã. 
As vezes eu tenho que pensar em como dizer não sem dizer não, mas vale muito a pena. Quando não pode por questão de sujeira avalio o caso, é sujo pra ele e pra saúde dele ou é criação de sujeira pra eu ter que limpar? Se for o caso 1 eu digo 'sujo, eca'. Mas nunca digo cocô, pois cocô ao meu ver não pode ser associado a algo sujo e ruim logo na fase que o desfralde se aproxima e sei o quanto bebês se orgulham de suas caquinhas. Se for o caso 2 tento minimizar a sujeirada e deixo ele explorar. 
Receita de bolo? Não tem. Mas taí o meu modus operandi no momento, se rolar terible two. Volto aqui pra gente conversar.
PS: Se vc leu esse post e está pensando que ajo assim porque meu filho é um anjo super calmo, não, não é, já teve a fase do se jogar pra trás, de bater a cabeça, no chao, na parede e contra nós, de não querer trocar ou colocar fralda, já aprendeu a gritar e ensaiar choro, só na dramatização. Tem dia que é foda, tem dia que é lindo, cada um sabe a dor e a delícia.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Dentes, Água e Flúor - qual a relação desses três elementos? ou ainda, sobre não escolhas no século XXI


Lyon é um lugar bacana, acho que deu pra notar nas duas últimas postagens, mas foi lá que começamos a ter uma preocupação, porque férias nunca é só moleza.

O assunto é sobre dentes, mas meu caso é um pouco específico, ou melhor, o caso do Noah (e que deve ser de outros pequenos também). Meu pequeno teve os primeiros dentes no fim do quinto mês de vida e nunca tivemos muitos problemas com o nascimento dos dentes como febres e mal estar, no máximo uma alteraçãozinha do funcionamento intestinal, mas nada demais. Acontece que antes de 1 ano notamos manchas brancas nos 2 incisivos centrais superiores, a pediatra disse q não era nada, que era pra continuar fazendo a limpeza normal e que leite materno não era cariogênico e que não precisava me preocupar nas mamadas noturnas. Porém, a coisa evoluiu, piorou muito quando estávamos justamente de férias.
essa foto foi quando começamos a nos
preocupar seriamente, mas chegou a ficar pior que isso
Levamos a um dentista da confiança do meu sogro na França, pois temia que fossem cáries e vi que o dente tava começando a ficar com um buraquinho. A experiência foi tranquila, ele não era um odontopediatra, mas fez uma carinha numa luva inflada e foi bem tranquilo. Noah já sabia mostrar o dentinho e falamos e ele mostrou. Também enviei uma foto a um amigo dentista, ambos chegaram ao mesmo diagnóstico, excesso de flúor, fluorose, hipoplasia. E que não era pra usar pasta de dentes com flúor, coisa que eu nunca tinha feito. Então investigando as possíveis causas chegamos a conclusão que o flúor ingerido pelo Noah estava na água, sim, na água. 

No Brasil existe uma lei há mais de 30 anos que fluoreta toda a água tratada. Pensei que aí residia o problema, pois como temos um purificador usamos a água que vem tratada. O dentista da França, disse pra dar água mineral para ele, porém aí começou um calvário! Ao retornar ao Brasil, notamos que em TODOS os rótulos de água mineral de TODAS as marcas nacionais, existe grande ou pequeno a inscrição "água mineral fluoretada". O jeito tem sido ir no interior e buscar água de mina isenta desse componente, porém segura. Mas usamos essa água somente para que ele beba, e nos preparos de sucos, preferindo dar água de coco e suco de laranja, melancia, que não levam água, mas no preparo dos alimentos não é possível usar água da mina o tempo todo, porque ela não é pertinho. 
Pode ser pouco, mas vem flúor embutido em tudo isso,
fora a cocção dos alimentos em casa

Diante dessa odisseia, onde ouvi que tem que rezar pra não afetar os dentes permanentes, uma amiga entrou em contato com seu dentista na Itália que recomendou um creme dental italiano meio chatinho de achar. Já tínhamos usado um gel dental alemão sem flúor, um outro creme chamado elmex, e agora estamos usando a recomendada Biorepair que fez um efeito muito rápido e incrível. Melhorou, mas acho que as craterinhas são irrecuperáveis, mas o amarronzado sumiu, e aí como eu desconfio de tudo que é muito rápido resolvi ler bem atenta os componentes. O "milagre" consiste na pasta conter microrepair e aí vem um asterisco, pois se trata de hidroxiapatita de zinco, e lá fui eu pesquisar, justo eu que odeio química, como os paralamas do sucesso. Encontrei um artigo que boiei um pouco, mas não tanto quanto achava no scientia plena. Do pouco que entendi é um nanobiomaterial. E tem um trecho bem compreensível: "O estudo destes materiais envolve diferentes áreas do conhecimento científico: física, química, biologia, engenharia de materiais e farmacologia. Um dos materiais mais importantes usado na área dos biomateriais é a hidroxiapatita (HAP), devido a sua semelhança química com a componente mineral do osso e tecidos duros dos mamíferos. A hidroxiapatita [...] é um fosfato de cálcio hidratado, biocompatível e bioativo, já que apresenta resposta positiva em termos de aderência e ploriferação(sic) celular de diferentes tipos de células." Dá pra entender nesse artigo que isso deve repor o tecido perdido nos dentinhos dele, até achei uma dissertação, mas não pude ler que é sobre o “Preparo e caracterização de fosfatos de cálcio dopados com zinco para aplicações médico-odontológicas”, mas como sou uma artista (acadêmica)que virou mãe, não sou muito entendida das ciências, então apelo pros odontopediatras de plantão, químicos e entendidos do assunto, até mesmo a Lígia, Cientista que virou mãe pode saber algo sobre o assunto, é um problema de saúde coletiva. Acho fundamental saber que o flúor na água a longo prazo traz mais malefícios do que benefícios e gostaria de ter o direito a escolha de que água consumir. Ouvi isso de uma dentista e deixo aqui pra finalizar "A classe ainda não entendeu que os efeitos sistêmicos dessa adição dele à água só trazem prejuízos à saúde geral, e nenhum benefício aos dentes. Já está mais que comprovado que a principal ação benéfica do flúor é na aplicação tópica. Realmente, não dá pra entender. Eu sou completamente contra. Mas é uma polêmica por aqui, ainda, infelizmente." Andreia Stankiewicz.
Acho que é preciso discutir isso seriamente, é preciso poder escolher e ter informação de qualidade sobre tudo que consumimos tacitamente.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Lyon - parte 2

Continuando com uma curiosidade ou cultura útil: Quem for atencioso, vai reparar que na França existem muitos prédios com as janelas tapadas, como na foto abaixo. 


Durante a Revolução Francesa, foi criado um imposto sobre portas e janelas. Foi a maneira que os revolucionários encontraram para fazer os mais ricos pagarem mais impostos. Só que os proprietários  nada bobos, fechavam as janelas para economizar uma graninha.



Traboules. Já ouviu falar? Não é de comer. Eu jamais ouvi isso antes de ir pra Lyon. Os traboules são as passagens secretas que fazem a fama da cidade. A grande maioria esta na Velha Lyon, mas, como o divertido é encontra-los, eu não vou falar onde eles estão (mas deixo o link para quem quiser imprimir o mapa). Essas passagens secretas existem desde que os imóveis foram construídos  ou seja, desde a Idade Média, e servem para ligar os prédios de uma rua à outra. Gênio quem teve a ideia de abrir passagens para driblar os quarteirões imensos e os prédios coladinhos, característicos da Velha Lyon. Difícil é conseguir reconhecê-los. Alguns traboules são privados, mas muitos são públicos. Uma porta rústica pode ser o sinal de que atrás dela existe um traboule. Outra dica é observar por alguns minutos para ver se entra ou sai muita gente. Tem certeza que não esta invadindo a propriedade alheia? Então entre, caminhe por eles e aproveite o ambiente misterioso para imaginar como era a vida por alí há centenas de anos. Fotografe, admire, mas, por favor, fale baixo! Os apartamentos são todos habitados e os moradores só topam abrir as portas para os turistas porque recebem benefícios da prefeitura. Eu achei um máximo esse jogo de achar traboules e assim que achava ia me enfiando por lá com o Noah, pena que muitas não são totalmente abertas então é preciso voltar por onde entramos.
A palavra traboule é lionesa e serve para descrever algo que so existe lá. Isto também vale para o Guignol, o mascote da cidade. É inevitavel não cruzar o bonequinho em algum lugar ao bater pernas pelo Vieux Lyon. 

Guignol foi criado por Laurent Mourguet em 1808. O cara era dentista e, como todos os dentistas da época, inventava historias para distrair os seus pacientes e diminuir a dor que eles sentiam enquanto lhes arrancava os dentes. A expressão francesa "mentir como um arrancador de dentes" vem lá do século XVII. Foi neste clima que ele criou o Guignol, o personagem principal de um teatro de marionetes, dono de um humor típico lionês. Ele fez e faz tanto sucesso na França e no mundo que tem até programa de TV inspirado na malandragem do bonequinho. Uma marionete de Guignol é uma das coisas mais tipicas que você pode levar de lembrança para casa. 






Para continuar no vocabulário lionês, vamos falar dos bouchons - os restaurantes típicos de Lyon. Dizem que é a capital mundial da gastronomia e que é uma das maiores concentrações de restaurantes por habitantes na França. Muitas opções e também muita porcaria. A culinária tipica lionesa (intestino de porco, estômago de boi e linguiça de miúdos, por exemplo) é servida em restaurantes chamados de bouchons. A Velha Lyon está cheia deles para você se deliciar, ou não. Eu não topo esse tipo de coisa, embora nas viagens sempre queira experimentar algo. A dica é procurar pelo selo "Authentiques bouchons lyonnais", que reconhece os restaurantes mais típicos e antigos da cidade. 


Foto:  Eloá Chaignet


Foto: Nicolas Chaignet
Eu preferi ficar em uma coisa mais tradicional e fiz uma visita no les Halles vi muuuita coisa de patisserie e macarons, passando por frios e queijos queijos queijos e açougues com variados tipos de carnes.
queijos! por Nicolas Chaignet
Gostei muito de ter experimentado quenelle que é típico de Lyon, mas sem partes exóticas suínas ou bovinas. A quenelle parece um gnochi grandão, e tem peixe, ou no caso da que eu comi, noix de saint jacques que é o bichinho que mora dentro da concha que é símbolo dos postos shell. É servido com um suculento molho e me agradou bastante.




Como sempre, faltaram coisas que eu costumo dizer que é o gostinho de quero mais necessário para querer voltar. Lyon tem muita coisa de dança e eu não vi absolutamente nada, a noite ficou por conta dos bebês na casa, quando o filhote desmamar a gente volta pra ver o lado B de Lyon. E claro, comer muito brioche praliné no café da manhã.
Foto: Nicolas Chaignet

sábado, 14 de setembro de 2013

Lyon - parte 1

Eu fui surpreendida por Lyon, aliás sempre me surpreendo com alguns lugares pelo simples fato de não ter expectativas sobre.
O tempo era curto, o intuito da viagem era conhecer uma parte da família que está brotando, essa galerinha nascida em 2012, foi uma apresentação de priminhos, mas que me permitiu um tour e eu gostei bastante. Tenho certeza que faltou muita coisa no roteiro, porém do que foi possível conhecer e visitar já valeu a pena, a boa impressão da cidade e de sua história beeeem antiga foram muito positivas, já o povo de lá são outros quinhentos, vaga no ônibus por estar carregando um bebê? Nananinanão, todo mundo fingindo não te ver, sem contar um certo ar de superioridade que na verdade parecia mais um ar interiorano de olhar todos de cima a baixo, olhar que tudo repara, e no caso deles compara e julga, tirando isso (que pode ter sido apenas uma impressão) Lyon é bacana.

Programa com pequenos e para pequenos foram parquinhos, onde rolou uma socialização legal, encontramos uma menininha muuuito falante e fofa e numa outra vez um garotinho com seu carrinho de bebê, Noah gostou e brincou com o carrinho, eu gostei de não ter sexismo com um brinquedo que aqui é visto como estritamente de meninas, francamente, isso é uma palhaçada, esses conceitos tem que evoluir. 
Foto: Nicolas Chaignet

Para os pequenos também fomos ao grande parque tête d'or, uma área verde gigantesca que foi um pique nique familiar totalmente falido graças a um bourdon que picou meu filho e me deu uma certa dor de cabeça. É uma espécie de abelha gigante e peludona, temi por alguma reação, mas por sorte tudo correu bem, tivemos a enorme sorte de neste mesmo dia ser o dia da campanha mundial de doação de sangue e ter uma grande tenda por lá com médicos que foram muito solícitos conosco. Meu filho estava inconsolável, segundo o médico dói mesmo, mas depois passou pra acalmar o coração de mãe aflitíssimo, que temia uma reação. 

O parque é bacana e teria sido muito legal se não fosse por isso, é uma quinta da boa vista maior ainda, com lagos, zoo, jardim botânico, trenzinho e deve ter mais coisa que não vimos.
Já nos passeios e descobertas culturais muita coisa legal, Lyon respira história e no velho Lyon sente-se um gostinho de tempo longínquo. Esse pedaço é bem interessante e me lembrou da minha amiga Fabiana louca por medievalidades que por lá estavam bem presentes.

Loja medieval. Foto: Nicolas Chaignet 

Nessa loja tinha orelha de elfo, só não trouxe pra Fabi
 porque o euro tava na casa das 3 DilmasFoto: Nicolas Chaignet

Abrimos mão dos museus e nos concentramos nos cantos da cidade.
Em termos de igreja perdi as contas de quantas visitei, muito lindas e cheias de história. A principal é a Fourvière, com disposição se vai a pé, mas acho que com pequenos e até mesmo sem eles vale a pena pegar o funiculaire e subir no topo da colina onde fica a igreja de Notre Dame de Fourvière. Cinco minutinhos de uma subida íngreme sobre um trilho que existe desde 1900. Um charme! 

Do mirante da basílica construída no topo da colina, tem a vista mais legal da cidade: Lyon quase inteira e, sem precisar forçar muito a vista, o Mont Blanc lá no horizonte. Óbvio que vai depender da visibilidade do dia, fui duas vezes e na primeira o tempo virou quando chegamos lá em cima, vento demais e chuva! Mas na segunda vez tudo bem. Por ter sido construída numa colina, ela tem uma arquitetura imponente. Andar pelo centro da cidade sem se impressionar com o tamanho dela? Esquece, não vai rolar. 

Por dentro é aquilo que a gente já sabe: a Igreja Católica querendo se mostrar. Mosaicos enormes pelas paredes, muitas imagens e também outras igrejas. Isso mesmo, outras igrejas! Além da principal, existe uma embaixo dela e outra logo ao lado, a do lado é uma pequenina capela e a debaixo é uma igreja bem diferente do que já vi, aliás uma coisa interessante que observei é que por aqui no Brasil usam os ex-votos pra agradecer uma graça, um pé de cera, uma cabeça etc e tal, lá usava-se, pois as datas eram beeem passadas colocar uma placa tipo lápide de túmulo nas paredes da igreja ou no fundo de onde fica uma imagem com algo do tipo: agradecimento ao santo tal da família tal e o ano.
A colina de Fourvière também é importante porque foi la que começou Lyon que é muito velhinha, a cidade existe desde 43 a.C.. Um dos traços da civilização galo-romana que ainda esta por ali é o Teatro Romano, construído em 15 a.C..

E que eu pude ver com esses olhinhos que a terra há de comer ou o fogo de cremar, durante a descida a pé, pois funiculaire é bom pra subir, mas pra baixo todo santo ajuda, já dizia minha mãe.
Eu não sei o tipo de reação que alguém me lendo pode ter, mas eu fiquei bem chocada quando me dei conta de que aquelas rochas estão servindo de cenário para espetáculos há mais de dois mil anos. O mais legal é que o teatro é aberto, então o publico pode interagir com o passado sem gastar um único centavo. E quando eu digo interagir, não me refiro apenas aos picnics que da para fazer sentado ali. O teatro lota durante as Nuits de Fourvière, ou Noites de Fourvière, um festival que rola no verão e que estava rolando quando estivemos lá, até vimos a preparação do palco, mas em nome do pequeno não fomos, fica pra uma próxima.

Colina visitada, é hora de descer para a Velha Lyon, aconselho tomar o caminho das flores e quando acabar descobrir uma escadaria qualquer que leve até esse bairro medieval de Lyon, um dos mais bem conservados da Europa. Invasões, crises politicas e a necessidade de viver mais próximos ao rio, fizeram com que os habitantes fossem abandonando a colina para se instalar por ali. São três partes construídas em períodos diferentes que formam o que é hoje a região mais visitada da cidade.
O bairro é medieval, mas também é renascentista. Não é a toa que Lyon é conhecida como a capital da renascença francesa, pois é na Velha Lyon que a gente percebe claramente a influência italiana na arquitetura. Dizem que andar por ali é como estar em Veneza, mas no lugar dos canais existem pavimentos da idade média. Muito bizarro pensar no tempo que esse pavimento está lá.
Voltando as igrejas, nesse bairro tem a Cathedral de Saint Jean. Esta catedral, que começou sendo construída com um estilo romano em 1180 e só ficou pronta 300 anos mais tarde, com uma grande influência do estilo gótico, é a igreja mais importante de Lyon. E olha que por dentro ela nem é tão impressionante assim o altar nem deu pra ver, estava em obras e colocaram um tecido e projeções. Acontece que a sua historia é: durante as guerras de religião, ali por volta de 1560, ela foi totalmente danificada. Os santos que ornamentavam a fachada foram decapitados. Entre 1791 e 1793, durante a Revolução Francesa, o resto das estatuas foi destruído de vez. E, porque desgraça pouca é bobagem, em 1944, quando as tropas aliadas saíram bombardeando Lyon ao final da Segunda Guerra Mundial, alguns vitrais da catedral foram estraçalhados. 
Sanit Jean, vista da descida da Fourvière
Foto: Nicolas Chaignet

Lá tem um relógio astronômico construído em 1383 (portanto, um dos mais antigos da Europa). Uma época em que ainda acreditava-se que o sol girava em torno da terra. Porém só pude ver meio de longe pois um homem louco uns meses antes de nossa visita foi lá e golpeou o relógio com uma barra de ferro alegando que ele não permitia aos fiéis se concentrarem em suas orações devido sua magnitude. Pode isso, Arnaldo?
Pra falar de uma terceira igreja, vou falar da que eu mais gostei, uma igreja bem diferente por dentro e com vitrais que me impressionaram, lá tinha uma atmosfera legal, não sei explicar. E vi uma coisa curiosa, uma espécie de confissão com uma pessoa que não é da igreja, sinal dos tempos da solidão? Não sei, mas tinha alguém lá disposto a ouvir.
Saint Bonaventure Foto: Nicolas Chaignet

A igreja é a de Saint Bonaventure de 1220, serviu de lugar de comercio da revolução até 1803 segundo uma simpática velhinha que estava lá. O órgão dessa igreja é uma coisa de louco, valeu muito ter parada gay impedindo o trãnsito e nos obrigando a descer alí, caso contrário não iria ter conhecido.
Andamos muito mais e tem muito mais coisa pra contar, mas fica pra amanhã.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Marseille - MuCEM


MuCEM é Musée des civilisations de l'Europe et de la Méditerranée, deu pra entender que é o museu das civilizações da europa e do mediterrâneo, né? Esse museu novinho em folha tornou-se um capítulo a parte da  jornada em Marseille. Após um sol fortinho e um tempo de fila inútil, pois estava com o filhote a tira colo e poderia passar sem ficar na fila, passamos pela ponte que nos levaria até este museu que já surpreende arquitetonicamente. Totalmente novo, recém inaugurado, ele abriu as portas no dia 7 de junho e fui visitá-lo no dia 9, quase estreei o museu.
O projeto arquitetônico mistura o tradicional e antigo forte de Saint Jean com o que tem de mais ousado e moderno, uma "renda" feita de cimento reveste o museu que é todo rodeado de rampas que permitem uma visão incrível do velho porto de Marseille, esta parte paira sobre a água e uma ponte liga o antigo e o novo, ou seja, o forte ao museu.
Ainda na parte do forte havia uma cantora e dois performers, fiz fotos maravilhosas, mas vou ficar devendo todas pois foram descarregadas no computador do meu sogro e não peguei os arquivos depois, burra mesmo.
Mas o MuCEM tinha para sua abertura extraordinária muitas exposições, ele herdou a coleção do museu nacional de artes e tradições populares que ficava em paris e foi fechado em 2005, mas a exposição que mais me atiçou foi "bazar dos gêneros", me confrontei mais uma vez com o machismo nosso de cada dia, fiz fotos de um trabalho, que eram telas de tecido com frases bordadas, todas muito impactantes e assim q recuperar essas imagens eu compartilho detalhes, não sei o nome da obra nem a autoria, mas vale a pena.
O dia terminou com uma tentativa frustrada de sorvete amorino, mas a fila, o cansaço e a hora do trem de volta só nos permitiram um quick mesmo.
Deixo esse diaporama de imagens belíssimas de lá.

sábado, 7 de setembro de 2013

Marseille TransHumance

Marseille é uma grande cidade, tem um quê de Rio de Janeiro, não só pelo mar e o sol, mas talvez uma caoticidade que me foi peculiar, ok ok, é impossível comparar, e nem é o meu intuito, cada cidade, cada lugar tem uma certa energia e eu diria que Marseille me fez sentir algo como o Rio. São anos mil a frente, foi capital da França é uma das cidades mais antigas e talz. 

Mas meu encontro com essa cidade foi num dia de festa muito diferente, fomos pra lá de trem para ver a transhumance, uma ideia no mínimo curiosa de fazer uma espécie de desfile, com os animais, uma travessia em plena cidade de tropas de bois, touros, vacas, carneiros,cavalos e seus cavaleiros,além de charretes e pessoas do campo ou de grupos folclóricos vestidas a caráter. 


Os animais vieram de diferentes lugares na região da provence e fizeram um travessia de dias até chegar Marseille, foi muito inusitado ver o campo dentro da cidade e a incrível eficiência da limpeza dos dejetos deixados pelos animais.

Muitas famílias como nós, muitas crianças com olhares curiosos e muitos papais carregando suas crias por meio de carregadores de bebês.

Pós desfile, fomos a bourse e vimos algumas exposições, depois fui conhecer o velho porto e o forte de saint jean depois disso o filhote contente de ver os bichinhos dormiu no sling, enquanto eu refazia todo o caminho do velho porto, passando pelo mercado de peixes pra culminar no MUCEM. Vimos muitas exposições nesse museu fantástico recém aberto que falarei mais no próximo post.
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