domingo, 1 de dezembro de 2013

O que a Margarida realmente pensa - Falando sobre cólica do lactente

O que a Margarida realmente pensa? Quero colo! Não leite em pó!




Assunto da semana em rodas e grupos de mães nas redes sociais foi um texto infelicíssimo numa revista para o segmento de pais e filhos. Como provavelmente quem me lê são mães e interessad@s no assunto vocês sabem que texto é, quem escreveu e qual revista publicou. Não vou dar ibope e ajudar a difundir tal falácia e besteirol que com a força de muitas mulheres informadas que leem além dessas revistas fizeram um rebuliço tirando essa coisa (não encontro outro nome) do ar. A justificativa da autora mostra mais uma vez que seu intuito furado era furado duas vezes. A primeira porque era fazer uma propaganda velada e não colou, e o segundo intuito, dito por ela, mostrar as mães que tiveram que complementar a alimentação dos filhos com fórmula que isso não é tão mal. Nota-se que muito provavelmente ela pouco sabe sobre o assunto e foi mal assessorada caindo no conto da industria do leite em pó. 

É muito raro que mães que geraram seus filhos não tenham leite, e isso de leite fraco é pura minação do poder da mulher propalado pelas industrias que querem vender seu leite químico em pó. 
Repita comigo: não existe leite fraco! não existe leite fraco! não existe leite fraco! Fale para si umas 10 vezes até se convencer disso, que é verdade, e não dessa mentira que se repete há 100 anos como verdade desde que marqueteiros resolveram criar minhocas nas cabeças das mães e pais.
Acho que existem estudos sérios e que podem ser vistos internet a fora que comprovam que leite fraco, pouco leite é praticamente um mito, são raríssimos os casos em que isso é real, na verdade fraco nunca é talvez seja pouco por algum problema em decorrência de alguma conduta equivocada. Apesar de algumas condutas praticadas no Brasil atrapalharem o processo de aleitamento, como: cesáreas eletivas, sobretudo antes das 38 semanas, má orientação para a mãe no pós parto isso não impede a amamentação, pois pensem comigo: se mãe ADOTIVA pode amamentar porque a mãe biológica não? É uma questão de querer, se informar e não entrar na paranóia alheia, te juro que seu corpo é perfeito e dá conta do recado. Se houver qualquer problema uma consultora em amamentação ou um banco de leite humano podem ajudar a superar o problema.
Mas voltando ao bebê blogueiro, se Margarida realmente pudesse falar, ela diria que chora pois quer peito e colo, contato e afeto e que essa história de cólica é uma bobagem mesmo. O Dr Gonzalez diz em um excelente texto que acho que vale a pena dividir:
"Os bebês ocidentais costumam chorar bastante durante os primeiros meses, o que se conhece como cólica do lactente ou cólica do primeiro trimestre. Cólica é a contração espasmódica e dolorosa de uma víscera oca; há cólicas dos rins, da vesícula e do intestino. Como o lactente não é uma vesícula oca e o primeiro trimestre muito menos, o nome logo de cara não é muito feliz. Chamavam de cólica porque se acreditava que doía a barriga dos bebês; mas isso é impossível saber. A dor não se vê, tem de ser explicada pelo paciente. Quando perguntam a eles: “por que você está chorando?”, os bebês insistem em não responder; quando perguntam novamente anos depois, sempre dizem que não se lembram. Então ninguém sabe se está doendo a barriga, ou a cabeça, ou as costas, ou se é coceira na sola dos pés, ou se o barulho está incomodando, ou simplesmente se estão preocupados com alguma notícia que ouviram no rádio. Por isso, os livros modernos frequentemente evitam a palavra cólica e preferem chamar de choro excessivo na infância. É lógico pensar que nem todos os bebês choram pelo mesmo motivo; alguns talvez sintam dor na barriga, mas outro pode estar com fome, ou frio, ou calor, e outros (provavelmente a maioria) simplesmente precisam de colo.

Tipicamente, o choro acontece sobretudo à tarde, de seis às dez, a hora crítica. Às vezes de oito à meia-noite, às vezes de meia-noite às quatro, e alguns parecem que estão a postos vinte e quatro horas por dia. Costuma começar depois de duas ou três semanas de vida e costuma melhorar por volta dos três meses (mas nem sempre).

Quando a mãe amamenta e o bebê chora de tarde, sempre há alguma alma caridosa que diz: “Claro! De tarde seu leite acaba!”. Mas então, por que os bebês que tomam mamadeira têm cólicas? (a incidência de cólica parece ser a mesma entre os bebês amamentados e os que tomam mamadeira). Por acaso há alguma mãe que prepare uma mamadeira de 150 ml pela manhã e de tarde uma de 90 ml somente para incomodar e para fazer o bebê chorar? Claro que não! As mamadeiras são exatamente iguais, mas o bebê que de manhã dormia mais ou menos tranquilo, à tarde chora sem parar. Não é por fome.

“Então, por que minha filha passa a tarde toda pendurada no peito e por que vejo que meus peitos estão murchos?” Quando um bebê está chorando, a mãe que dá mamadeira pode fazer várias coisas: pegar no colo, embalar, cantar, fazer carinho, colocar a chupeta, dar a mamadeira, deixar chorar (não estou dizendo que seja conveniente ou recomendável deixar chorar, só digo que é uma das coisas que a mãe poderia fazer). A mãe que amamenta pode fazer todas essas coisas (incluindo dar uma mamadeira e deixar chorar), mas, além disso, pode fazer uma exclusiva: dar o peito. A maioria das mães descobrem que dar de mamar é a maneira mais fácil e rápida de acalmar o bebê (em casa chamamos o peito de anestesia), então dão de mamar várias vezes ao longo da tarde. Claro que o peito fica murcho, mas não por falta de leite, mas sim porque todo o leite está na barriga do bebê. O bebê não tem fome alguma, pelo contrário, está entupido de leite.

Se a mãe está feliz em dar de mamar o tempo todo e não sente dor no mamilo (se o bebê pede toda hora e doem os mamilos, é provável que a pega esteja errada), e se o bebê se acalma assim, não há inconveniente. Pode dar de mamar todas as vezes e todo o tempo que quiser. Pode deitar na cama e descansar enquanto o filho mama. Mas claro, se a mãe está cansada, desesperada, farta de tanto amamentar, e se o bebê está engordando bem, não há inconveniente que diga ao pai, à avó ou ao primeiro voluntário que aparecer: “pegue este bebê, leve para passear em outro cômodo ou na rua e volte daqui a duas horas”. Porque se um bebê que mama bem e engorda normalmente mama cinco vezes em duas horas e continua chorando, podemos ter razoavelmente a certeza de que não chora de fome (outra coisa seria um bebê que engorda muito pouco ou que não estava engordando nada até dois dias atrás e agora começa a se recuperar: talvez esse bebê necessite mamar muitíssimas vezes seguidas). E sim, se pedir para alguém levar o bebê para passear, aproveite para descansar e, se possível, dormir. Nada de lavar a louça ou colocar em dia a roupa para passar, pois não adiantaria nada.

Às vezes, acontece de a mãe estar desesperada por passar horas dando de mamar, colo, peito, colo e tudo de novo. Recebe seu marido como se fosse uma cavalaria: “por favor, faça algo com essa menina, pois estou ao ponto de ficar doida”. O papai pega o bebê no colo (não sem certa apreensão, devido às circunstâncias), a menina apoia a cabecinha sobre seu ombro e “plim” pega no sono. Há várias explicações possíveis para esse fenômeno. Dizem que nós homens temos os ombros mais largos, e que se pode dormir melhor neles. Como estava há duas horas dançando, é lógico que a bebê esteja bastante cansada. Talvez precisasse de uma mudança de ares, quer dizer, de colo (e muitas vezes acontece o contrário: o pai não sabe o que fazer e a mãe consegue tranquilizar o bebê em segundos).

Tenho a impressão (mas é somente uma teoria minha, não tenho nenhuma prova) de que em alguns casos o que ocorre é que o bebê também está farto de mamar. Não tem fome, mas não é capaz de repousar a cabeça sobre o ombro de sua mãe e dormir tranqüilo. É como se não conhecesse outra forma de se relacionar com sua mãe a não ser mamando. Talvez se sinta como nós quando nos oferecem nossa sobremesa favorita depois de uma opípara refeição. Não temos como recusar, mas passamos a tarde com indigestão. No colo da mamãe é uma dúvida permanente entre querer e poder; por outro lado, com papai, não há dúvida possível: não tem mamá, então é só dormir.

Minha teoria tem muitos pontos fracos, claro. Para começar, a maior parte dos bebês do mundo estão o dia todo no colo (ou carregados nas costas) de sua mãe e, em geral, descansam tranquilos e quase não choram. Mas talvez esses bebês conheçam uma outra forma de se relacionar com suas mães, sem necessidade de mamar. Em nossa cultura fazemos de tudo para deixar o bebê no berço várias horas por dia; talvez assim lhes passemos a idéia de que só podem estar com a mãe se for para mamar.

Porque o certo é que a cólica do lactente parece ser quase exclusiva da nossa cultura. Alguns a consideram uma doença da nossa civilização, a consequência de dar aos bebês menos contato físico do que necessitam. Em outras sociedades o conceito de cólica é desconhecido."


Há alguns poucos pediatras que também não apoiam o uso do termo cólica, alegando que ela não existe. O problema sério de falar por um bebê é ter a cabeça de adulto e um tanto de achismo que nos impede de falar por um ser recém chegado. Imagine que tudo o que você conhece e viveu se transformou e te colocaram pra morar em outro lugar completamente diferente, imagina morar no fundo do mar, na lua? Nós adultos reagimos mal com muitas mudanças que nem são tão grandes, então imagina você passar um tempo no escuro, num meio aquático se sentindo apertadinho, acolhido, bem acomodado e nu.
Depois chega num mundo beeeeem diferente, te sentiria muito só de não estar dentro daquele compartimento, mas aí você conhece braços de mãe ou de alguém com afeto e não quer sair desse novo compartimento, um colo quentinho que se for da mamãe ainda tem leitinho na temperatura ideal com tudo que vc precisa, sinceramente você queria sair de lá? Não é bom cama quentinha com alguém pra nos aquecer de calor humano? Acho que quase todo mundo prefere um cobertor humano a uma cama vazia com edredons pelucias e afins. Choro que dizem cólica pode ser necessidade de contato. Outra coisa também é necessidade de expressão bebês recém nascidos não falam uma língua própria desenvolvem sons depois e criam seu idioma, inicialmente o único meio de expressão é o choro que vemos como algo que tem que ser silenciado, pois indica que algo não vai bem, porém no check list de choro do bebê tem:
no topo 1 FOME
2 sujo de cocô ou xixi
3 frio ou calor
necessidades afetivas não fazem parte da listinha e aí mora o problema. Vejam o check list de uma revista do segmento e vão ver cólica logo na quarta posição além de outros motivos onde  nenhum é afeto, colo ou algo relacionado.
Dr Carlos Gonzalez diz:
"Na Coreia, o Dr. Lee não encontrou nenhum caso de cólica entre 160 lactentes. Com um mês de idade, os bebês coreanos só passavam duas horas por dia sozinhos contra as dezesseis horas dos norteamericanos. Os bebês coreanos passavam o dobro do tempo no colo que os norteamericanos e suas mães atendiam praticamente sempre que choravam. As mães norteamericanas ignoravam deliberadamente o choro de seus filhos em quase a metade das vezes.

No Canadá, Hunziker e Barr demonstraram que se podia prevenir a cólica do lactente recomendando às mães que pegassem seus bebês no colo várias horas por dia. É muito boa idéia levar os bebês pendurados, como fazem a maior parte das mães do mundo. Hoje em dia é possível comprar vários modelos de carregadores de bebês nos quais ele pode ser levado confortavelmente em casa e na rua. Não corra para colocar o bebê no berço assim que ele adormecer; ele gosta de estar com a mamãe, mesmo quando está dormindo. Não espere que o bebê comece a chorar, com duas ou três semanas de vida, para pegá-lo no colo; pode acontecer de ter “passado do ponto” e nem no colo ele se acalmar. Os bebês necessitam de muito contato físico, muito colo, desde o nascimento. Não é conveniente estarem separados de sua mãe, e muito menos sozinhos em outro cômodo. Durante o dia, se o deixar dormindo um pouco em seu bercinho, é melhor que o bercinho esteja na sala; assim ambos (mãe e filho) se sentirão mais seguros e descansarão melhor.

A nossa sociedade custa muito a reconhecer que os bebês precisam de colo, contato, afeto; que precisam da mãe. É preferível qualquer outra explicação: a imaturidade do intestino, o sistema nervoso... Prefere-se pensar que o bebê está doente, que precisa de remédios. Há algumas décadas, as farmácias espanholas vendiam medicamentos para cólicas que continham barbitúricos (se fazia efeito, claro, o bebê caía duro). Outros preferem as ervas e chás, os remédios homeopáticos, as massagens. Todos os tratamentos de que tenho notícia têm algo em comum: tem de tocar no bebê para dá-lo. O bebê está no berço chorando; a mãe o pega no colo, dá camomila e o bebê se cala. Teria seacalmado mesmo sem camomila, com o peito, ou somente com o colo. Se, ao contrário, inventassem um aparelho eletrônico para administrar camomila, ativado pelo som do choro do bebê, uma microcâmera que filmasse o berço, um administrador que identificasse a boca aberta e controlasse uma seringa que lançasse um jato de camomila direto na boca... Acredita que o bebê se acalmaria desse modo? Não é a camomila, não é o remédio homeopático! É o colo da mãe que cura a cólica.

Taubman, um pediatra americano, demonstrou que umas simples instruções para a mãe (tabela 1) faziam desaparecer a cólica em menos de duas semanas. Os bebês cujas mães os atendiam, passaram de uma média de 2,6 horas ao dia de choro para somente 0,8 horas. Enquanto isso, os do grupo de controle, que eram deixados chorando, choravam cada vez mais: de 3,1 horas passaram a 3,8 horas. Quer dizer, os bebês não choram por gosto, mas porque alguma coisa está acontecendo. Se são deixados chorando, choram mais, se tentam consolá-los, choram menos (uma coisa tão lógica! Por que tanta gente se esforça em nos fazer acreditar justo no contrário?).

Tabela 1 – Instruções para tratar a cólica, segundo Taubman (Pediatrics 1984;74:998)
1- Tente não deixar nunca o bebê chorando.
2- Para descobrir por que seu filho está chorando, tenha em conta as seguintes possibilidades:
a- O bebê tem fome e quer mamar.
b- O bebê quer sugar, mesmo sem fome.
c- O bebê quer colo.
d- O bebê está entediado e quer distração.
e- O bebê está cansado e quer dormir.
3- Se continuar chorando durante mais de cinco minutos com uma opção, tente com outra.
4- Decida você mesma em qual ordem testará as opções anteriores.
5- Não tenha medo de superalimentar seu filho. Isso não vai acontecer.
6- Não tenha medo de estragar seu filho. Isso também não vai acontecer.

No grupo de controle, as instruções eram: quando o bebê chorar e você não souber o que está acontecendo, deixe-o no berço e saia do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando, torne a entrar, verifique (um minuto) que não há nada, e volte a sair do quarto. Se após vinte minutos ele continuar chorando etc. Se após três horas ele continuar chorando, alimente-o e recomece.

As duas últimas instruções do Dr. Taubman me parecem especialmente importantes: é impossível superalimentar um bebê por oferecer-lhe muita comida (que o digam as mães que tentam enfiar a papinha em um bebê que não quer comer); e é impossível estragar um bebê dando-lhe muita atenção. Estragar significa prejudicá-lo. Estragar uma criança é bater nela, insultá-la, ridicularizá-la, ignorar seu choro. Contrariamente, dar atenção, dar colo, acariciá-la, consolá-la, falar com ela, beijá-la, sorrir para ela são e sempre foram uma maneira de criá-la bem, não de estragá-la.

Não existe nenhuma doença mental causada por um excesso de colo, de carinho, de afagos... Não há ninguém na prisão, ou no hospício, porque recebeu colo demais , ou porque cantaram canções de ninar demais para ele, ou porque os pais deixaram que dormisse com eles. Por outro lado, há, sim, pessoas na prisão ou no hospício porque não tiveram pais, ou porque foram maltratados, abandonados ou desprezados pelos pais. E, contudo, a prevenção dessa doença mental imaginária, o estrago infantil crônico , parece ser a maior preocupação de nossa sociedade. E se não, amiga leitora, relembre e compare: quantas pessoas, desde que você ficou grávida, avisaram da importância de colocar protetores de tomada, de guardar em lugar seguro os produtos tóxicos, de usar uma cadeirinha de segurança no carro ou de vacinar seu filho contra o tétano? Quantas pessoas, por outro lado, avisaram para você não dar muito colo, não colocar para dormir na sua cama, não acostumar mal o bebê?"

E então, acho que estamos entendidos sobre "cólica" né? Espalhem pras Donas Marias não darem uma mamadeira de leite em pó escondido de nós.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Receita do domingo: pasta de rúcula com pesto cremoso de rúcula e salmão

Tem bastaaaaante tempo que não posto receitas, não por conta de uma cozinha parada, muito pelo contrário, mas por falta de tempo mesmo. Já disse que admiro a galera que bloga receita com frequencia incluindo fotos do passo a passo, mas com filhotinho é bem mais complexo.
Só que esse domingo foi A receita! Semana passada também roulou um viola à belle menière que eu vou compartilhar um dia desses, mas pasta feita em casa aberta com cilindro que ganhei de aniversário não tem melhor, caseiro é tuuuudo dibão e ainda sabemos o que tem dentro.
Nas férias quando fomos à Itália fomos em um restaurante divino em Turim e meu marido pediu esse prato e nosso filho com 15 meses caiu dentro e ignorou seu prato kids (pasta com tomates não é tao incrível quanto rúcula minha gente). Mas antes da receita uma historinha pra contar o que me motivou.
Quando me casei ganhei de presente uma máquina de pão, porém como ela veio da França tem voltagem 220 e no Rio de Janeiro é 110, sendo assim comprei uma tomada quadrada que se dizia transformador, resultado: antes mesmo de começar a sovar a massa o treco começou a sair fumaça, desesperei arrancamos aquilo de lá e terminei o pão na mão mesmo e no forno convencional. Fiquei meio jururu, mas meu pai disse que faria uma tomada 220, eu engravidei, pari meu filho 40semanas depois ele fez 7 meses eu mudei de casa... já fez 1 ano que me mudei de casa e não tinha a tomada 220. Até que visitando uma amiga que chegou recentemente da França descobri um verdadeiro transformador e paguei 88 reais muito bem pagos pra usar minha maquina de pão. Desde então aqui virou uma padaria já fizemos pão de cebola, petits pain, pain au lait, pão integral de iogurte e maravilhosas brioches. Mas tem um adendo que é o que faz parte dessa receita. A máquina além de fazer tudo em matéria de pão: misturar, sovar, fermentar e assar ela diz ter programas para bolo, geléias, massa de pizza e massa de macarrão. Eu que fazia minhas pastas no processador resolvi testar e foi bem legal. Mas se você não tiver máquina de pão com tantas firulas pode fazer no processador ou no muque mesmo. Vamos a receitinha e as adaptações.

Massa:
3ovos
125ml de água
1/2 kg de farinha de trigo
100gr de rúcula bem picadinha
1/2 colher de café de sal

Misturar tudo até virar uma bola. Se os ovos forem grandes use apenas 100ml de água. Se a quantidade de farinha indicada não der o ponto coloque mais. Eu usei ovos grandes e a quantidade de agua da receita acabei tendo que botar mais farinha. Abri no cilindro corte retângulos e apertei no meio pra fazer farfales ou gravatinhas, lacinhos, como quiserem como deu uma quandidade boa abri uns retangulozões e congelei pra fazer uma lasanha de massa verde depois. #ficaadica

Molho

Rucula (meio maço, acho que deu 100gr)
50ml azeite
100 gr creme de leite
2 dentes de alho
1 punhado de amendoas e parmesão a gosto
2 postas de salmão

Dividir a rúcula em 2 partes e colocar numa frigideira com agua para cozinhar no liquidificador coloca alho, amendoas (eu usei as amendoas espremidas de um leite de amendoas que fiz), azeite, creme de leite, e a rúcula crua e cozida, coloco uma pitada generosa de parmesão e reservo o resto pra servir. Bater tudo no liquidificador e despejar sobre a massa cozida envolvendo ela no molho. Grelhar o salmão e desfiá-lo eliminando todas as espinhas acrescentar a massa e ao molho. comer bem quentinho com bastante queijo por cima!

Não deu tempo nem de fazer uma foto, mas achei uma parecida sendo que o farfale feito em casa não saem todos iguaizinho.
google

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Carta às meninas

Fonte Google Procurando por uma imagem de mulher sem maquiagem parece que a maquiagem é a salvação pra todos os problemas e sem as mulheres são feias. Acho que essa foto faz pensar, quem gostar realmente da segunda imagem tem como referencial de beleza os travestis.


Entro no ônibus, lugar que ultimamente sempre me faz escrever quando estou sozinha e vejo cabelos penteados, esticados, pintados, rostos maquiados para um dia a dia em meninas que são ainda tão jovens. Mas já mascaradas com a beleza ditatorial, escondem a vida e suas marcas naturais a beleza bruta a beleza verdadeira. Depois desse grupo vi uma menina com pelinhos nas axilas a mostra quando se segurava, eram tão simpáticos, tão reais e genuínos ela me parecia mais humana e menos Barbie, menos de plástico e plástica.
Coletivo Além projeto Pelos Pelos

Refleti que aprendi a odiar os pêlos porque a sociedade e a cultura que vivo são assim, mas sendo eu filha de um quase Tony Ramos aprendi a me odiar um pouco a medida que se tenho pelos, odiá-los é me odiar também. Aí eu li a depilação é a burca brasileira e posteriormente conheci o projeto pelos pêlos e acho muito legal (depois de já ter escrito esse post achei algo maravilhoso que coaduna as ideias daqui sugiro fortemente a leitura de o mês que me tornei uma feminista peluda) me fez entender muitas coisas e não me odiar ou odiar os pêlos que tenho e sou. E ok. Gosto é gosto cada um tem o seu a medida do que a sociedade e a cultura que nos cerca impõe, então o gosto não é assim tão nosso. Aí pensei nas mudanças de aparência feitas em prol do outro, um agradar-se apenas pra que agrade o(s) outro(s) e assim eu me agrade. Ainda bem que o tempo passa e eu cresci, não em altura, mas em outros quesitos. Sei que não tem salto que me dê os centímetros que não tenho (na adolescência só usava os saltos mais altos e mirabolantes pra escamotear meus charmosos 1,58). Dá vontade de falar: ei meninas, maquiagem borra e sai. Cabelo frisa. Cacho desmancha. Prancha encolhe na chuva. Esmalte da unha descasca. Cinta sai. Peito fora do sutiã diminui ou até cai. Perfume sai. Desodorante vence. Pelos crescem no sovaco. Na sobrancelha. Na virilha. Na perna...Mas seus olhos. Ah, seus olhos sempre vão ser lindos e o seu sorriso é o que de mais bonito e verdadeiro você pode exalar. Sua real beleza está nisso e quem não gostar de você assim, simplesmente não gosta de você como você é e sim como você se "monta", não te gosta como mulher, mas como você se traveste. Ser feliz e estar em paz consigo é o melhor tratamento de beleza. Apostem nisso!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Considerações sobre um parto tipo humanizado

Tá dificil blogar, sem tempo mesmo, há três dias querendo postar...Eu hoje ia postar uma outra coisa que tá quase pronta, só faltavam os links, mas resolvi mudar de assunto completamente, pois as mães das redes sociais em todos os grupos só falam sobre esse assunto e eu preciso me manifestar para além das redes. Preciso dar um outro lado da moeda e com informação de qualidade, para problematizar e provocar questionamentos.
O que está acontecendo e que está mexendo com a cabeça das mulheres mães é o caso de uma mulher que foi para a Maternidade Maria Amélia no Rio de Janeiro e seu bebê morreu em decorrência da aspiração de mecônio (o primeiro cocô). A mídia sensacionalista abraçou o caso e isso me soa muito mais como um golpe no movimento de humanização do parto do que real preocupação com esta mãe e compromisso com a informação, pois a referida maternidade municipal possui profissionais humanizados, infelizmente não são todos, mas há equipes que prezam pelo respeito a fisiologia do parto e ao corpo da mulher. Todos os dias morrem bebês em diversos hospitais e maternidades, mas não viram notícia. Morrem mães também. seja por fatalidade, seja por negligência, mas nem sempre são noticiados. E é aí que eu acho estranha toda essa repercussão nesse caso. Enquanto mãe entendo a empatia que essa situação gera, e não, eu posso até imaginar, mas não consigo nem chegar perto da dor de perder um filho esperado por semanas a fio, planejado e já tão amado. Com certeza isso gera uma revolta, com certeza isso nos faz duvidar de tudo e procurar um culpado. Não sei se nesse caso houveram culpados e não sou juíza pra julgar nada nem ninguém, mas gostaria de lançar um olhar sobre os fatos ocorridos.
A mãe que passou por essa situação divulgou na internet o seu prontuário e seu relato.

Li e analisei os dois, e as minhas conclusões são que houve violência obstétrica sim, mas não foi violência tudo que parece ser, muitas das coisas que pra uma pessoa leiga possa parecer violência, não, não é. Percebe-se muito claramente que infelizmente o parto, que deveria ser algo natural, que nossa ancestralidade e nossa sabedoria de mulher, aquela que gesta, saiba parir, ledo engano, as intervenções e o nosso modelo cultural ajudaram a borrar essas memórias e noto que ela não estava preparada de fato para um trabalho de parto e que desconhece a fisiologia do parto, isso não é culpa dela é culpa do sistema que preferiu medicalizar o parto e excluir a mulher de conhecer os processos que acontecem com ela do e no corpo dela.. Isso não é pra médico saber apenas, afinal o corpo é nosso, nós temos que saber os caminhos que passamos até encontrarmos nossos rebentos, precisamos saber como vai ser o momento dele rebentar, como diria Chico Buarque.

A desinformação foi crucial, e acho que um erro da maternidade é não ter um pré natal adequado que prepare realmente para o parto, qualquer mulher pode chegar lá e parir não importa o pré natal que teve. No relato fica claro que algumas coisas são absurdas, mas aos olhos de uma pessoa leiga tudo ganha uma proporção maior, houveram fatos que não são absurdos, mas que parecem ser em meio a tanta dor.  Esse papo de gestação prolongada de 40 semanas e 3 dias foi repetido várias vezes e na verdade não houve nenhuma gestação prolongada um parto a termo vai de 38 a 42 semanas, após 42 semanas podemos falar em gestação prolongada e ainda assim ocorrer tudo muito bem e com desfechos bons para mãe e bebê. Mas como no Brasil os médicos gostam de operar com 37 a 38 semanas muitas pessoas podem pensar que 40 semanas é uma condição anormal e extraordinária, o que não é, tanto que o ACOG (colégio americano de ginecologia e obstetrícia) mudou a recomendação das marcações de cesárias, visto que a maior parte dos partos vai até pelo menos 40 semanas se não for interrompido por médicos com procedimentos e intervenções. O poder da mente no trabalho de parto é muito grande e pode atrapalhar muito, medo, tensão só geram mais dor. Uma mulher que se sente muito observada e invadida não consegue também entrar em contato consigo mesma a ponto de conseguir uma boa evolução do trabalho de parto. Mas ainda que eu ache que a equipe em alguns momentos abandonou a gestante propositalmente pra ela ficar mais a vontade, vejo que não houve negligência quando é possível ver no prontuário que ela foi monitorada constantemente e que o espaço entre uma anotação e outra não é muito longo, portanto nesse caso não foi desassistido, em vários pontos do prontuário também é possível ver anotações do BCF (batimento cardio fetal).

O que é preciso saber é que em um parto humanizado não se aplica sorinho, ou sorinho da força que em todo hospital dão e por isso acham que é bom, mas se este soro for administrado as dores aumentam muitíssimo e ficam bastante insuportáveis, nesse caso só seria pior. Episiotomia é um corte no períneo é uma mutilação e a laceração não é tão comum e quando ocorre não é tão ruim quanto uma episiotomia. Isso é uma violência obstétrica tanto quanto tratar mal.

Mas vou abordar um ponto chave, parto humanizado não é forçar parto normal, é deixar o corpo no seu tempo fazer em parceria com o bebê o que precisa ser feito. Isso precisa ser entendido. Pois nesse caso parece que o vilão foi o parto normal, quando na verdade se fosse realizada uma cesariana e o bebê tivesse feito cocô, o mecônio. ele teria aspirado do mesmo modo e a cesárea não teria salvado, além de trazer mais riscos de morte para a mãe.Eu tô sendo advogada do diabo, pois nosso lado mãe grita ao ver uma coisa dessas e agimos com a emoção e não com a razão.Acho que o movimento de humanização do parto ganhou muita visibilidade e militância o que gerou problemas a ele, muita gente se dizendo humanizada achando que humanização é luz baixa e musiquinha. Mas acho que esse tipo de noticia vinculada especificamente a MMA é pra exatamente abalar a nossa fé no humanizado e vejo que muito dos discursos estão em relação a forçar parto normal, forçar qualquer coisa que seja não é humanização, a MMA não é uma maternidade humanizada, mas que tem profissionais humanizados, infelizmente não são todos. O parto humanizado não é um parto 100% fisiológico, se precisar de alguma intervenção vão fazer, tem o dever de fazer e garantir que mãe e bebê saiam bem do parto. A diferença é informar a mãe sobre os procedimentos antes de realizá-los e fazer nas necessidades e não rotineiramente. Com certeza um parto horroroso e sofrido não é humanizado e uma cesárea é menos traumática nesses casos.
A questão do sofrimento fetal muitas vezes levantada é que médicos dizem que vão fazer cesárea porque o bebê está em sofrimento fetal, nós mães no momento do parto ou em qualquer outro não queremos sofrimento do filho e aceitamos a cesárea que salvará o bebê, mas o que muitas mulheres questionam em fóruns é que se o bebê estava em sofrimento o apgar deveria ser menor que 7, um bebê que o médico diz que está em sofrimento e nasce 9 até 10 de fato não estava em sofrimento, e elas passaram por um pós parto muito ruim na maioria dos casos sem necessidade. Eu tive um parto domiciliar, tive a sorte de poder conhecer essa possibilidade e de poder pagar, pois infelizmente parto no brasil é uma indústria, mas aí as mais xiitas diriam que meu parto não foi humanizado, sabe porque? Fizeram manobra de Kristeller, e assim que eu digeri o parto e estudei cada vez mais via muita gente dizendo que Kristeller era a pior coisa que se podia fazer, mas acho que cada caso é um caso eu não tinha mais muitas forças, se tivesse no hospital acho que tentariam vácuo, mas em casa e naquele momento aquela foi a melhor solução, não acho que isso faça do meu parto mais ou menos humanizado. Acho que foi uma intervenção necessária naquele momento, naquela situação específica. Acho que muita gente quando se toca em certos termos já diz: "ah isso não é humanização", mas sei de gente que queria ter direção de puxos e ficou sem saber o que fazer e pedia pra orientarem de quando devia fazer força...ou que ficou morta com farofa de placenta porque fazia força o tempo todo antes da hora... Humanizar o parto e o nascimento é respeitar os limites de cada um, é intervir quando necessário, é fazer cesárea se necessário. Mas antes de tudo é preparar a mulher para essa experiência, é absurdo que tenhamos perdido o contato com a natureza e temos de reaprender a como funciona, mas só há esse caminho para nos reconectarmos com o natural sem esquecer da tecnologia e ter toda a segurança pro melhor parto possível, como amor respeito e acolhimento. O quadro poderia ser revertido com a presença de uma doula, vou fazer um post explicando melhor, mas as dores insuportáveis sentidas podiam ser melhor toleradas com massagens prova disso é que no próprio relato há um psicólogo que faz massagem nela e ela relaxa e apaga, mas ela não consegue ainda reconhecer isso pois o desfecho de toda essa situação foi muito traumático.
Uma mão amiga dizendo: "vai passar!", "você vai conseguir" "coragem" " cada contração é uma a menos" podia ter revertido toda essa situação. E aí fica a reflexão que tiro dessa história ela teve o direito a um parto fisiológico quase 100%, mas não foi humanizado, faltou componente humano, faltou confiança e apoio. Que isso sirva de lição, para que não tenhamos apenas menos violência obstétrica, mas para que tenhamos mais acolhimento nas equipes de parto.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Vida profissional X vida maternal

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Já tinha um post escrito pela metade sobre essa divisão da vida entre a maternidade e uma carreira, mas soube da blogagem coletiva proposta pelo Femmaterna e me enchi de vontade de terminá-lo e compartilhá-lo nesse momento oportuno.

Esse assunto é bastante polêmico, pois a equação vida maternal + vida profissional = pessoa desgastada e se sentindo incompleta em ambas as atividades, além de uma insatisfação com o desempenho nos dois lados, pelo menos essa é a minha opinião e de outras mães que tentaram ou que ainda estão tentando conciliar a dupla jornada imposta pela nossa sociedade.

Porque pra sociedade vida de mãe é vida devassada. Pitacos, críticas e sugestões ficam numa caixa virtual ao lado como se fosse em um balcão de alguma empresa que te pede sugestões.
Nós, mulheres e mães não pedimos conselho algum, mas cansamos de ouví-los. Somos pressionadas a sermos boas mães, mas ao mesmo tempo o ser boa mãe pode ser bastante relativizado, não é comum saber ou até mesmo ter ouvido algo como: “coitada dessa criança, tão pequena já vai pra creche”, mas em contrapartida se a mãe decidir dar uma pausa na carreira para ser uma boa mãe com dedicação exclusiva, podemos facilmente ouvir coisas horríveis como: “só quer cuidar de filho, não quer trabalhar não” pra não dizer que está vagabundeando (nem vou entrar no mérito de quanto trabalho se tem pra educar uma criança), ou ainda: “ih vai virar amélia e depois não consegue voltar pro mercado”, essas são algumas das milhares de frases que podem ser colocadas na tal caixa de pitacos ao lado da mãe, óbvio que é da mãe, porque pai terá sempre elogio, se trabalha o dia todo é um coitado que vê pouco o filho, porque trabalha bastante para garantir seu futuro, se é um pai que agarra a paternagem com unhas e dentes é um exemplo de pai, nunca é tachado de nada pejorativamente.
Nós, mulheres e mães estamos sempre sob o crivo de uma sociedade machista e que só sabe, ainda que nem tenha a intenção (está tão arraigado, infelizmente), oprimir as mulheres, e se são mães mais ainda. O que quer que façamos é incompleto, jamais atenderemos os anseios de uma sociedade como a nossa, se fazemos o que se espera, que é o combo ser mãe incrível, mulher integra e profissional exemplar, com certeza alguma coisa sai perdendo, não é impossível conciliar, mas como propõe a blogagem é preciso dizer que não é nada fácil fazer essa conjugação de atividades. Assim como tem campanhas lindas de amamentação onde todo mundo é arrumadinho penteado etc e tal e isso não é real, os vários depoimentos de pessoas que conciliam profissão e ser mãe nos dão a impressão de que nós é que temos a tal defectividade que querem tanto que pensemos ter, e que nós não conseguimos, pois fulana de tal e a beltrana conseguem, olha o relato delas.
Então como sou uma pessoa real muito distante do ideal, até porque o ideal seria perfeito e perfeição e idealização eu deixo pra Platão, venho aqui dizer como foi e é na minha realidade o embate entre a maternagem e minha vida profissional. Como foi o choque entre elas e como lentamente estou deixando que as coisas tomem um caminho mais suave, entendendo que pausas são necessárias e que não nos fazem menos isso ou aquilo.

Por aqui foi e está sendo assim, como meu filho nasceu em casa eu nunca tinha ficado mais de 1h longe dele, só fiquei pra retirar um cisto no sacro quando ele tinha 29 dias (fiquei 2h longe dele). E eu sabia que ia ter que voltar ao trabalho com 6 meses, o que já é pouco, mas ainda assim mais do que em outros empregos (que dão apenas 4 meses), mas não gostava nem de pensar nisso, eu não fazia nada além de cuidar dele e tava muito bem assim, quando ele fez 6 meses começaram as papinhas que eu mesma fazia toda boba e fui agraciada com a greve dos professores o que me permitiu voltar somente quando ele tinha 7 meses e já tava introduzindo a alimentação sólida a noite, na jantinha. Como eu trabalhava algumas noites de 18 às 22h ele ficava com o pai que chegava por volta das 16h (o que nem todos tem a sorte) e eventualmente com a vó quando eu tinha reunião e ia mais cedo. No início, nas minhas primeiras semanas eu levava ele pra faculdade e o pai ficava com ele lá pra no intervalo eu dar de mamar, quando acabava o intervalo o pai ia com ele pra casa, faziam a festa de banho de balde e ele não dormia até eu chegar, as vezes ficava bem outras (a maioria) chorando, ele nunca aceitou a mamadeira, eu sofria de saber que ele não estava bem e que queria o colo da mãe dele. Eu xingava a demora dos ônibus e fazia tudo pra voltar o mais depressa possível, já chorei muito em ponto de ônibus com peito vazando esperando um ônibus que não passava nunca. Me mudei pra mais perto do trabalho, mas o sentimentos em mim não mudaram. Quando estava perto de completar um ano eu chegava em casa e ele já tava dormindo, dormia vendo videos com o pai. Na véspera do seu niver de 1 ano meu contrato acabou e resolvi viver com menos e bancar ficar com ele, pois não estava/estou disposta a entrar num trampo padrão de 8h por dia mais o deslocamento, acho que ele já vai ter uma vida toda na escola e a partir daí eu retomo uma atividade mais intensa e com mais tempo de dedicação , foram 6 meses de pausa total. Há um tempinho atrás dei aula particular de francês pra um colega do antigo trabalho pra prepará-lo pra prova do doutorado 1h e meia 1x por semana, pra ajudar no orçamento, e agora  desde setembro tô com projeto que desengavetei e coloquei na atividade o cria em movimento dança para gestantes, mães e bebês, apenas foquei nisso porque era um trabalho que era viável dentro dos meus anseios e desejos e que de quebra faz bem a mim e ao meu filho, pois ficamos juntos. Fiz essa escolha, pois se for pra trabalhar no horário padrão e gastar uma grana com creche, pois o governo não nos dá algo de qualidade e depois ir para pediatra e gastar com remédios e perder noites de sono com um bebê doente eu prefiro ficar com ele e viver com os cintos apertados em relação as despesas, acompanhar de perto cada passo, cada aprendizado, ser cúmplice de seu desenvolvimento. Pois como li uma vez eu serei mãe a vida inteira, mas meu filho só será bebê e criança uma vez só e passa muito rápido.



*este post faz parte da blogagem coletiva proposta pelo femmaterna com o intuito de criar uma ampla discussão sobre nosso modelo de vida e maternidade, deixei registrado meu relato desde a minha má conciliação, a não conciliação e atualmente os caminhos que busco, se você é uma mulher real e quer compartilhar sua relação de trabalho e maternidade escreva nos comentários com certeza estará ajudando outras mães.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dançar: um filme sobre a vida e obra de Helenita Sá Earp


Vou interromper a programação normal deste blog. Ops, esse blog não tem programação normal.
Então, eu acabei de ver um documentário e preciso escrever ainda sob os efeitos de todas as sensações que ele me causou, quase ninguém vai entender, mas entendedores entenderão é um post en dedans.
Eu cheguei atrasada graças a dupla Dudu e Paes que resolveram espancar os professores por mais um dia, perdi o início do documentário sobre justamente uma professora, uma mestra, minha mestra e mestra dos meus amigos, aliás tenho amigos maravilhosos graças a ela. É graças a ela muitas coisas boas na minha vida.
Dançar, experienciar o movimento, inovar, vanguarda, ousadia, são muitas palavras que me veem e me tomam subitamente após essa exibição, mas o orgulho me transbordou e me emocionei muitíssimo com o que foi dito por tantas pessoas de tantas áreas, umas mais célebres outras nem tanto, mas cada uma falava desse alguém que eu reconheço em mim, e que vejo completamente imortal, que me foi passado, e que eu repasso e vejo n@s alun@s que tenho e tive, na faculdade de dança, na dança com sua crias... Ela estudou o movimento e o movimento é continuo, é vivo e não cessa mesmo quando não é percebido, já dizia ela: é potencial.
Esse filme me traz o respaldo que nunca precisei, mas que de algum modo me conforta, ouvir vozes que ecoam seu nome, vozes que contam histórias de uma vida que ainda existe, de um alguém que existe para além do meu círculo. Não, não somos loucos coletivos, não, não inventamos nada e nem precisávamos provar nada a ninguém, pois nós vivemos e sabemos do que se trata. Mas essas vozes me fizeram não me sentir só em meio aos meus, Helenita pertence! Helenita é vida vivida na dança e tem um legado que não pode mais ser renegado, nem relegado.
Quanta poesia em movimento! Que fotografia linda! Que delícia ver amigos amados em cena! Que gostoso ver essa história que me atravessa e atravessa tantos outros! 
Dançar a vida de Helenita Sá Earp é uma ode a dança.
É também uma homenagem singela aqueles que marcaram-se nessa trajetória e um deleite para quem conhece ver colegas se lançando na dança na flor da idade, e quanta dedicação! Quanto afinco! Quantas exclamações poderia fazer...

Mas só restou uma sensação boa no peito, lágrimas nos olhos e meu aplauso demorado de pé.

Palmas
almas que dançam
se lançam no tempo
se fazem imortais.

Obrigada a todos que fizeram e fazem parte desa história e que contribuíram para que tudo isso hoje seja um filme com a qualidade que tem. Parabéns!






segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Limites: o não e a negação sem o não. Nossa história enquanto o terible two não vem



Estava escrevendo o post no telefone e o bendito tocou. E eu atendi. E o post sumiu. Mas vou tentar lembrar. Afinal é um assunto da série: quero escrever sobre isso, mas enrolo.Porém, hoje estava lendo um tópico e mensagens na rede do zuck de um grupo de mães que gosto muito e que me fizeram pensar em desengavetar essa ideia, ou melhor, desencerebrar mais uma ideia entre as tantas e ecléticas que passam nessa cachola e assim pulo do flúor pra qualquer outra coisa. Garanto que são muitas ideias, mas o tempo de escrever é inversamente proporcional. O assunto é meio polêmico, posso até ser crucificada, mas como o mundo é velho e sem porteiras, cada um faz o que pensa ser melhor para si e para seus rebentos também. Sem mais delongas e rodeios o tema das próximas linhas é dizer um pouco da nossa experiência com o famigerado não. Acredito estar maternando numa geração meio termo. Pois as gerações anteriores a grosso modo se dividem em duas: as que nada permitem e oprimem e aquela que foi filha desta e resolveu ser a que tudo permite e que não dá limites. Não quero ser de A nem B, nesse  momento vale a ponderação e o caminho do meio. Embora alguns possam crer que sou do grupo libera geral, acredito na árdua tarefa de educar sem dizer não. Melhor dizendo, usando o não de outros modos e deixando o ene a til o pra casos realmente sérios que envolvam a saúde e a integridade física do meu bebê. Tipo dedo na tomada. 
Mas aí você pode estar pensando, como fazer isso? Fácil, não é, de quebra é cansativo pacas. Mas já pensava muito no não quando falei os primeiros nãos e tive péssimas reações e acho que hoje usando nãos essenciais a coisa melhorou muito aqui em casa. Depois vi um vídeo (você pode ver o video acessando aqui - os pais devem ajudar os filhos a lidarem com limites) que só me incentivou nessa conduta e acho que o exemplo e a experiência controlada valem muito a pena. 
Chamo de experiência controlada permitir a crinaça viver uma experiência um pouco perigosa pra ela sozinha, porém controlada pelos pais. Por exemplo, com panelas quentes, peguei no colo e disse quente em francês chaud, se fala xô. Já nas papinhas mostrava que era xô e soprava a colher. Nas panelas dizia xô e passei rapidamente a mãozinha no vapor pra ele entender que xô é uma sensação de quente. Fiz bem rápido pra não machucar só no vapor, só pra sentir a diferença de temperatura, mas de longe, por favor nada de queimar filhos. Como faço muitos bolos quando o forno tá ligado ao invés de dizer 'não põe a mão', dizemos 'xô' e ele faz um biquinho pra soprar, mas não vai lá tentar por a mão.
Quando abre a geladeira dizemos 'fecha' ou 'ferme' ao invés de 'não abre' ou 'não pode'. No lugar de 'agora não' pra uma atividade inadequada pro momento uso o 'depois', 'depois faremos isso', 'mais tarde', em alguns casos 'amanhã' embora ele não tenha noção do que é amanhã. 
As vezes eu tenho que pensar em como dizer não sem dizer não, mas vale muito a pena. Quando não pode por questão de sujeira avalio o caso, é sujo pra ele e pra saúde dele ou é criação de sujeira pra eu ter que limpar? Se for o caso 1 eu digo 'sujo, eca'. Mas nunca digo cocô, pois cocô ao meu ver não pode ser associado a algo sujo e ruim logo na fase que o desfralde se aproxima e sei o quanto bebês se orgulham de suas caquinhas. Se for o caso 2 tento minimizar a sujeirada e deixo ele explorar. 
Receita de bolo? Não tem. Mas taí o meu modus operandi no momento, se rolar terible two. Volto aqui pra gente conversar.
PS: Se vc leu esse post e está pensando que ajo assim porque meu filho é um anjo super calmo, não, não é, já teve a fase do se jogar pra trás, de bater a cabeça, no chao, na parede e contra nós, de não querer trocar ou colocar fralda, já aprendeu a gritar e ensaiar choro, só na dramatização. Tem dia que é foda, tem dia que é lindo, cada um sabe a dor e a delícia.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Dentes, Água e Flúor - qual a relação desses três elementos? ou ainda, sobre não escolhas no século XXI


Lyon é um lugar bacana, acho que deu pra notar nas duas últimas postagens, mas foi lá que começamos a ter uma preocupação, porque férias nunca é só moleza.

O assunto é sobre dentes, mas meu caso é um pouco específico, ou melhor, o caso do Noah (e que deve ser de outros pequenos também). Meu pequeno teve os primeiros dentes no fim do quinto mês de vida e nunca tivemos muitos problemas com o nascimento dos dentes como febres e mal estar, no máximo uma alteraçãozinha do funcionamento intestinal, mas nada demais. Acontece que antes de 1 ano notamos manchas brancas nos 2 incisivos centrais superiores, a pediatra disse q não era nada, que era pra continuar fazendo a limpeza normal e que leite materno não era cariogênico e que não precisava me preocupar nas mamadas noturnas. Porém, a coisa evoluiu, piorou muito quando estávamos justamente de férias.
essa foto foi quando começamos a nos
preocupar seriamente, mas chegou a ficar pior que isso
Levamos a um dentista da confiança do meu sogro na França, pois temia que fossem cáries e vi que o dente tava começando a ficar com um buraquinho. A experiência foi tranquila, ele não era um odontopediatra, mas fez uma carinha numa luva inflada e foi bem tranquilo. Noah já sabia mostrar o dentinho e falamos e ele mostrou. Também enviei uma foto a um amigo dentista, ambos chegaram ao mesmo diagnóstico, excesso de flúor, fluorose, hipoplasia. E que não era pra usar pasta de dentes com flúor, coisa que eu nunca tinha feito. Então investigando as possíveis causas chegamos a conclusão que o flúor ingerido pelo Noah estava na água, sim, na água. 

No Brasil existe uma lei há mais de 30 anos que fluoreta toda a água tratada. Pensei que aí residia o problema, pois como temos um purificador usamos a água que vem tratada. O dentista da França, disse pra dar água mineral para ele, porém aí começou um calvário! Ao retornar ao Brasil, notamos que em TODOS os rótulos de água mineral de TODAS as marcas nacionais, existe grande ou pequeno a inscrição "água mineral fluoretada". O jeito tem sido ir no interior e buscar água de mina isenta desse componente, porém segura. Mas usamos essa água somente para que ele beba, e nos preparos de sucos, preferindo dar água de coco e suco de laranja, melancia, que não levam água, mas no preparo dos alimentos não é possível usar água da mina o tempo todo, porque ela não é pertinho. 
Pode ser pouco, mas vem flúor embutido em tudo isso,
fora a cocção dos alimentos em casa

Diante dessa odisseia, onde ouvi que tem que rezar pra não afetar os dentes permanentes, uma amiga entrou em contato com seu dentista na Itália que recomendou um creme dental italiano meio chatinho de achar. Já tínhamos usado um gel dental alemão sem flúor, um outro creme chamado elmex, e agora estamos usando a recomendada Biorepair que fez um efeito muito rápido e incrível. Melhorou, mas acho que as craterinhas são irrecuperáveis, mas o amarronzado sumiu, e aí como eu desconfio de tudo que é muito rápido resolvi ler bem atenta os componentes. O "milagre" consiste na pasta conter microrepair e aí vem um asterisco, pois se trata de hidroxiapatita de zinco, e lá fui eu pesquisar, justo eu que odeio química, como os paralamas do sucesso. Encontrei um artigo que boiei um pouco, mas não tanto quanto achava no scientia plena. Do pouco que entendi é um nanobiomaterial. E tem um trecho bem compreensível: "O estudo destes materiais envolve diferentes áreas do conhecimento científico: física, química, biologia, engenharia de materiais e farmacologia. Um dos materiais mais importantes usado na área dos biomateriais é a hidroxiapatita (HAP), devido a sua semelhança química com a componente mineral do osso e tecidos duros dos mamíferos. A hidroxiapatita [...] é um fosfato de cálcio hidratado, biocompatível e bioativo, já que apresenta resposta positiva em termos de aderência e ploriferação(sic) celular de diferentes tipos de células." Dá pra entender nesse artigo que isso deve repor o tecido perdido nos dentinhos dele, até achei uma dissertação, mas não pude ler que é sobre o “Preparo e caracterização de fosfatos de cálcio dopados com zinco para aplicações médico-odontológicas”, mas como sou uma artista (acadêmica)que virou mãe, não sou muito entendida das ciências, então apelo pros odontopediatras de plantão, químicos e entendidos do assunto, até mesmo a Lígia, Cientista que virou mãe pode saber algo sobre o assunto, é um problema de saúde coletiva. Acho fundamental saber que o flúor na água a longo prazo traz mais malefícios do que benefícios e gostaria de ter o direito a escolha de que água consumir. Ouvi isso de uma dentista e deixo aqui pra finalizar "A classe ainda não entendeu que os efeitos sistêmicos dessa adição dele à água só trazem prejuízos à saúde geral, e nenhum benefício aos dentes. Já está mais que comprovado que a principal ação benéfica do flúor é na aplicação tópica. Realmente, não dá pra entender. Eu sou completamente contra. Mas é uma polêmica por aqui, ainda, infelizmente." Andreia Stankiewicz.
Acho que é preciso discutir isso seriamente, é preciso poder escolher e ter informação de qualidade sobre tudo que consumimos tacitamente.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Lyon - parte 2

Continuando com uma curiosidade ou cultura útil: Quem for atencioso, vai reparar que na França existem muitos prédios com as janelas tapadas, como na foto abaixo. 


Durante a Revolução Francesa, foi criado um imposto sobre portas e janelas. Foi a maneira que os revolucionários encontraram para fazer os mais ricos pagarem mais impostos. Só que os proprietários  nada bobos, fechavam as janelas para economizar uma graninha.



Traboules. Já ouviu falar? Não é de comer. Eu jamais ouvi isso antes de ir pra Lyon. Os traboules são as passagens secretas que fazem a fama da cidade. A grande maioria esta na Velha Lyon, mas, como o divertido é encontra-los, eu não vou falar onde eles estão (mas deixo o link para quem quiser imprimir o mapa). Essas passagens secretas existem desde que os imóveis foram construídos  ou seja, desde a Idade Média, e servem para ligar os prédios de uma rua à outra. Gênio quem teve a ideia de abrir passagens para driblar os quarteirões imensos e os prédios coladinhos, característicos da Velha Lyon. Difícil é conseguir reconhecê-los. Alguns traboules são privados, mas muitos são públicos. Uma porta rústica pode ser o sinal de que atrás dela existe um traboule. Outra dica é observar por alguns minutos para ver se entra ou sai muita gente. Tem certeza que não esta invadindo a propriedade alheia? Então entre, caminhe por eles e aproveite o ambiente misterioso para imaginar como era a vida por alí há centenas de anos. Fotografe, admire, mas, por favor, fale baixo! Os apartamentos são todos habitados e os moradores só topam abrir as portas para os turistas porque recebem benefícios da prefeitura. Eu achei um máximo esse jogo de achar traboules e assim que achava ia me enfiando por lá com o Noah, pena que muitas não são totalmente abertas então é preciso voltar por onde entramos.
A palavra traboule é lionesa e serve para descrever algo que so existe lá. Isto também vale para o Guignol, o mascote da cidade. É inevitavel não cruzar o bonequinho em algum lugar ao bater pernas pelo Vieux Lyon. 

Guignol foi criado por Laurent Mourguet em 1808. O cara era dentista e, como todos os dentistas da época, inventava historias para distrair os seus pacientes e diminuir a dor que eles sentiam enquanto lhes arrancava os dentes. A expressão francesa "mentir como um arrancador de dentes" vem lá do século XVII. Foi neste clima que ele criou o Guignol, o personagem principal de um teatro de marionetes, dono de um humor típico lionês. Ele fez e faz tanto sucesso na França e no mundo que tem até programa de TV inspirado na malandragem do bonequinho. Uma marionete de Guignol é uma das coisas mais tipicas que você pode levar de lembrança para casa. 






Para continuar no vocabulário lionês, vamos falar dos bouchons - os restaurantes típicos de Lyon. Dizem que é a capital mundial da gastronomia e que é uma das maiores concentrações de restaurantes por habitantes na França. Muitas opções e também muita porcaria. A culinária tipica lionesa (intestino de porco, estômago de boi e linguiça de miúdos, por exemplo) é servida em restaurantes chamados de bouchons. A Velha Lyon está cheia deles para você se deliciar, ou não. Eu não topo esse tipo de coisa, embora nas viagens sempre queira experimentar algo. A dica é procurar pelo selo "Authentiques bouchons lyonnais", que reconhece os restaurantes mais típicos e antigos da cidade. 


Foto:  Eloá Chaignet


Foto: Nicolas Chaignet
Eu preferi ficar em uma coisa mais tradicional e fiz uma visita no les Halles vi muuuita coisa de patisserie e macarons, passando por frios e queijos queijos queijos e açougues com variados tipos de carnes.
queijos! por Nicolas Chaignet
Gostei muito de ter experimentado quenelle que é típico de Lyon, mas sem partes exóticas suínas ou bovinas. A quenelle parece um gnochi grandão, e tem peixe, ou no caso da que eu comi, noix de saint jacques que é o bichinho que mora dentro da concha que é símbolo dos postos shell. É servido com um suculento molho e me agradou bastante.




Como sempre, faltaram coisas que eu costumo dizer que é o gostinho de quero mais necessário para querer voltar. Lyon tem muita coisa de dança e eu não vi absolutamente nada, a noite ficou por conta dos bebês na casa, quando o filhote desmamar a gente volta pra ver o lado B de Lyon. E claro, comer muito brioche praliné no café da manhã.
Foto: Nicolas Chaignet

sábado, 14 de setembro de 2013

Lyon - parte 1

Eu fui surpreendida por Lyon, aliás sempre me surpreendo com alguns lugares pelo simples fato de não ter expectativas sobre.
O tempo era curto, o intuito da viagem era conhecer uma parte da família que está brotando, essa galerinha nascida em 2012, foi uma apresentação de priminhos, mas que me permitiu um tour e eu gostei bastante. Tenho certeza que faltou muita coisa no roteiro, porém do que foi possível conhecer e visitar já valeu a pena, a boa impressão da cidade e de sua história beeeem antiga foram muito positivas, já o povo de lá são outros quinhentos, vaga no ônibus por estar carregando um bebê? Nananinanão, todo mundo fingindo não te ver, sem contar um certo ar de superioridade que na verdade parecia mais um ar interiorano de olhar todos de cima a baixo, olhar que tudo repara, e no caso deles compara e julga, tirando isso (que pode ter sido apenas uma impressão) Lyon é bacana.

Programa com pequenos e para pequenos foram parquinhos, onde rolou uma socialização legal, encontramos uma menininha muuuito falante e fofa e numa outra vez um garotinho com seu carrinho de bebê, Noah gostou e brincou com o carrinho, eu gostei de não ter sexismo com um brinquedo que aqui é visto como estritamente de meninas, francamente, isso é uma palhaçada, esses conceitos tem que evoluir. 
Foto: Nicolas Chaignet

Para os pequenos também fomos ao grande parque tête d'or, uma área verde gigantesca que foi um pique nique familiar totalmente falido graças a um bourdon que picou meu filho e me deu uma certa dor de cabeça. É uma espécie de abelha gigante e peludona, temi por alguma reação, mas por sorte tudo correu bem, tivemos a enorme sorte de neste mesmo dia ser o dia da campanha mundial de doação de sangue e ter uma grande tenda por lá com médicos que foram muito solícitos conosco. Meu filho estava inconsolável, segundo o médico dói mesmo, mas depois passou pra acalmar o coração de mãe aflitíssimo, que temia uma reação. 

O parque é bacana e teria sido muito legal se não fosse por isso, é uma quinta da boa vista maior ainda, com lagos, zoo, jardim botânico, trenzinho e deve ter mais coisa que não vimos.
Já nos passeios e descobertas culturais muita coisa legal, Lyon respira história e no velho Lyon sente-se um gostinho de tempo longínquo. Esse pedaço é bem interessante e me lembrou da minha amiga Fabiana louca por medievalidades que por lá estavam bem presentes.

Loja medieval. Foto: Nicolas Chaignet 

Nessa loja tinha orelha de elfo, só não trouxe pra Fabi
 porque o euro tava na casa das 3 DilmasFoto: Nicolas Chaignet

Abrimos mão dos museus e nos concentramos nos cantos da cidade.
Em termos de igreja perdi as contas de quantas visitei, muito lindas e cheias de história. A principal é a Fourvière, com disposição se vai a pé, mas acho que com pequenos e até mesmo sem eles vale a pena pegar o funiculaire e subir no topo da colina onde fica a igreja de Notre Dame de Fourvière. Cinco minutinhos de uma subida íngreme sobre um trilho que existe desde 1900. Um charme! 

Do mirante da basílica construída no topo da colina, tem a vista mais legal da cidade: Lyon quase inteira e, sem precisar forçar muito a vista, o Mont Blanc lá no horizonte. Óbvio que vai depender da visibilidade do dia, fui duas vezes e na primeira o tempo virou quando chegamos lá em cima, vento demais e chuva! Mas na segunda vez tudo bem. Por ter sido construída numa colina, ela tem uma arquitetura imponente. Andar pelo centro da cidade sem se impressionar com o tamanho dela? Esquece, não vai rolar. 

Por dentro é aquilo que a gente já sabe: a Igreja Católica querendo se mostrar. Mosaicos enormes pelas paredes, muitas imagens e também outras igrejas. Isso mesmo, outras igrejas! Além da principal, existe uma embaixo dela e outra logo ao lado, a do lado é uma pequenina capela e a debaixo é uma igreja bem diferente do que já vi, aliás uma coisa interessante que observei é que por aqui no Brasil usam os ex-votos pra agradecer uma graça, um pé de cera, uma cabeça etc e tal, lá usava-se, pois as datas eram beeem passadas colocar uma placa tipo lápide de túmulo nas paredes da igreja ou no fundo de onde fica uma imagem com algo do tipo: agradecimento ao santo tal da família tal e o ano.
A colina de Fourvière também é importante porque foi la que começou Lyon que é muito velhinha, a cidade existe desde 43 a.C.. Um dos traços da civilização galo-romana que ainda esta por ali é o Teatro Romano, construído em 15 a.C..

E que eu pude ver com esses olhinhos que a terra há de comer ou o fogo de cremar, durante a descida a pé, pois funiculaire é bom pra subir, mas pra baixo todo santo ajuda, já dizia minha mãe.
Eu não sei o tipo de reação que alguém me lendo pode ter, mas eu fiquei bem chocada quando me dei conta de que aquelas rochas estão servindo de cenário para espetáculos há mais de dois mil anos. O mais legal é que o teatro é aberto, então o publico pode interagir com o passado sem gastar um único centavo. E quando eu digo interagir, não me refiro apenas aos picnics que da para fazer sentado ali. O teatro lota durante as Nuits de Fourvière, ou Noites de Fourvière, um festival que rola no verão e que estava rolando quando estivemos lá, até vimos a preparação do palco, mas em nome do pequeno não fomos, fica pra uma próxima.

Colina visitada, é hora de descer para a Velha Lyon, aconselho tomar o caminho das flores e quando acabar descobrir uma escadaria qualquer que leve até esse bairro medieval de Lyon, um dos mais bem conservados da Europa. Invasões, crises politicas e a necessidade de viver mais próximos ao rio, fizeram com que os habitantes fossem abandonando a colina para se instalar por ali. São três partes construídas em períodos diferentes que formam o que é hoje a região mais visitada da cidade.
O bairro é medieval, mas também é renascentista. Não é a toa que Lyon é conhecida como a capital da renascença francesa, pois é na Velha Lyon que a gente percebe claramente a influência italiana na arquitetura. Dizem que andar por ali é como estar em Veneza, mas no lugar dos canais existem pavimentos da idade média. Muito bizarro pensar no tempo que esse pavimento está lá.
Voltando as igrejas, nesse bairro tem a Cathedral de Saint Jean. Esta catedral, que começou sendo construída com um estilo romano em 1180 e só ficou pronta 300 anos mais tarde, com uma grande influência do estilo gótico, é a igreja mais importante de Lyon. E olha que por dentro ela nem é tão impressionante assim o altar nem deu pra ver, estava em obras e colocaram um tecido e projeções. Acontece que a sua historia é: durante as guerras de religião, ali por volta de 1560, ela foi totalmente danificada. Os santos que ornamentavam a fachada foram decapitados. Entre 1791 e 1793, durante a Revolução Francesa, o resto das estatuas foi destruído de vez. E, porque desgraça pouca é bobagem, em 1944, quando as tropas aliadas saíram bombardeando Lyon ao final da Segunda Guerra Mundial, alguns vitrais da catedral foram estraçalhados. 
Sanit Jean, vista da descida da Fourvière
Foto: Nicolas Chaignet

Lá tem um relógio astronômico construído em 1383 (portanto, um dos mais antigos da Europa). Uma época em que ainda acreditava-se que o sol girava em torno da terra. Porém só pude ver meio de longe pois um homem louco uns meses antes de nossa visita foi lá e golpeou o relógio com uma barra de ferro alegando que ele não permitia aos fiéis se concentrarem em suas orações devido sua magnitude. Pode isso, Arnaldo?
Pra falar de uma terceira igreja, vou falar da que eu mais gostei, uma igreja bem diferente por dentro e com vitrais que me impressionaram, lá tinha uma atmosfera legal, não sei explicar. E vi uma coisa curiosa, uma espécie de confissão com uma pessoa que não é da igreja, sinal dos tempos da solidão? Não sei, mas tinha alguém lá disposto a ouvir.
Saint Bonaventure Foto: Nicolas Chaignet

A igreja é a de Saint Bonaventure de 1220, serviu de lugar de comercio da revolução até 1803 segundo uma simpática velhinha que estava lá. O órgão dessa igreja é uma coisa de louco, valeu muito ter parada gay impedindo o trãnsito e nos obrigando a descer alí, caso contrário não iria ter conhecido.
Andamos muito mais e tem muito mais coisa pra contar, mas fica pra amanhã.
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